Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 19/11/2020
Um tema de debate, muito comum no Brasil e no mundo é a apropriação cultura. Primeiramente, do que se trata tal problema?
Apropriação cultural se dá quando uma cultura, ou um indivíduo, adota elementos específicos de outra cultura, sendo eles vestimentas, costumes, palavras, etc. O que aparentemente é inofensivo para algumas pessoas se torna um dedo na ferida de outras: exemplos são os turbantes e tranças que eram e, ás vezes ainda são, criminalizados e mal vistos por serem atribuídos a negros e a ritos de magia, onde na verdade eram apenas parte de sua cultura trazida a força durante a época da escravidão, por isso pessoas de outras etnias, ao utilizá-los acabam banalizando e esquecendo o valor histórico e cultural que o objeto trás consigo.
Por outro lado, em um mundo cada vez mais globalizado, com uma indústria cultural cada vez mais faminta e abrangente, a níveis mundiais, se torna difícil, quase impossível, homogeneizar culturas e costumes e direcioná-los apenas a um específico grupo. Além disso, como nos casos citados, a trança, além de sua origem africana, também era utilizada pelos povos nórdicos, da Noruega e Suécia desde o século VIII, e o turbante que já era usado por povos orientais, não só africanos, mas também asiáticos e do oriente médio, muito antes até do surgimento do islamismo.
Ao querer proibir e tornar malvistos aqueles que utilizam de outra cultura, não pertencente a sua etnia, é um ato extremista e exagerado, é claro que todos os anos de escravidão e racismo, este ainda impregnado na sociedade, não podem de forma alguma serem esquecidos e banalizados pela sociedade.
A forma mais viável e correta de conscientizar e de lembrar do sofrimento e luta de um povo é aprendendo sua história e valorizando sua cultura, por meio da educação, midia, e outros meios de comunicação. Segregar uma vestimenta a um povo é um retrocesso e o contrário do que pessoas durante o apartheid lutavam ao tentarem normalizar sua cultura perante a uma sociedade ‘‘branca’’.