Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 25/11/2020
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas ‘‘Memórias Póstumas’’, que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente a debates como apropriação cultural, carregados de individualismos e extremismos se mostra empobrecedora. Assim, pessoas que se julgam detentoras de uma determinada cultura, tornam essa uma espécie de propriedade privada, se esquivando da liberdade individual, que é uma das premissas de uma sociedade democrática.
Ao passo que tudo é consequência de uma dada cultura que se difundiu, como exemplos temos o yoga, de origem Indiana, o judô, arte marcial Japonesa. Logo, a ampliação de pessoas adeptas deve ser visto como um fato positivo, pois leva ao multiculturalismo, fenômeno enriquecedor na sociedade. Com o devido respeito, sem o objetivo de ridicularizar, essa difusão se mostra como parte importante da dinâmica social. Ademais, a cultura é um patrimônio imaterial de toda humanidade, seu uso varia desde tradições até escolha particular do individuo.
Consoante, Carlos Drummond expôs em um de seus poemas que existem situações na vida que se comportam como pedra, ou seja, um empecilho. Logo, para remover tais obstáculos que impeçam a difusão da cultura, é necessário se abster da ideia dessa como bem privado, pois isso ocasiona o aumento da segregação entre grupos. Nesse viés, sociedade e escola devem cooperar preconizando o debate e ensino dessa temática em disciplinas como Sociologia, evidenciando essa como produto da humanidade, além de seu respectivo respeito.
Fica nítido que a cultura é aprendida, transmitida e partilhada. Esse último por sua vez, deve ser defendida associada à reverência. Á vista disso, atitudes que fortaleçam a importância da cultura como o seu debate e ensino são fundamentais, pois permitem que extremismos e militâncias banais bloqueiem a propagação sadia da cultura. Tais ações levam a uma sociedade que considera essa um bem público, à respeitando, criando assim, um legado no qual Brás Cubas pudesse se orgulhar.