Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 25/11/2020

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário, quanto à questão da discussão acerca da apropriação cultural. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um problema de contorno específico, em virtude do silenciamento quanto a questão do apoderamento cultural e pela lacuna de representatividade das culturas marginalizadas

A princípio, a falta de debates relacionados à apropriação cultural atua como um complexo dificultador. Nesse sentido, o filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nessa perspectiva, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno do assenhoreamento cultural, que tem sido silenciado. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre esse problema, sua resolução é impedida, pois a apropriação cultural, que existe quando os elementos da vida de um povo são reproduzidos sem o devido respeito à sua origem ou visando imitar aspectos culturais e físicos de um grupo marginalizado com base em conceitos elitistas, torna-se um problema de graves consequências.

Vale ressaltar, também, que a não discussão sobre a apropriação cultural evidencia a lacuna de representatividade das culturas marginalizadas. Nesse quesito, para Rupi Kaur, “A representatividade é vital”. A poetiza ilustra sua tese fazendo alusão à uma borboleta que tenta ser mariposa por estar rodeada delas. Fora da poesia, verifica-se que a questão da argumentação sobre o apoderamento cultural é fortemente impactada pela lacuna de representatividade presente no problema, que não está sendo fortemente encarnada pelas autoridades, sejam governamentais, sejam midiáticas. Dessa forma, o tema não recebe a atenção devida, o que acaba por dificultar a atuação sobre ele, pois não há uma atuação direta e contundente que vise mitigar essa problemática.

Logo, fica clara a importância da discussão acerca da apropriação cultural na sociedade atual. Sendo assim, é essencial que o Ministério da Educação, em parceria com empresas, promova, para professores das redes pública e privada, cursos sobre como abordar o apoderamento de culturas na sala de aula. Tais cursos devem ser gratuitos e digitais, ensinando diferentes ferramentas e métodos para que os professores possam discutir questões como o debate sobre a posse de culturas para o corpo social, e consigam, assim, propor diferentes soluções em conjunto com os alunos. Dessa forma, espera-se a construção de um país melhor.