Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 27/11/2020
A partir da colonização, o Brasil e seus povos nativos sofreram intensamente com a repressão cultural e a imposição de novos hábitos e costumes de seus colonizadores. Por consequência desse processo, a nação brasileira se formou com base na discriminação de povos e etnias, e sua estrutura social se moldou em cima de preceitos de repressão e preconceito. Por esse motivo, a discussão sobre a apropriação cultural - entre outras pautas reivindicadoras - tornou-se cada vez mais recorrente. O surgimento desse assunto tem origem na contestação do racismo estrutural e da conscientização sobre populações socialmente oprimidas.
Segundo a autora Djamila Ribeiro, em seu livro “Pequeno Manual Antirracista”, a discussão da apropriação cultural não consiste no “usar” ou “não usar” certo apetrecho. A pauta, entretanto, questiona como estão sendo afetadas as culturas que originaram a vestimenta usada e se há preocupação social para com elas. Do mesmo modo, sua crítica consiste em questionar se o interesse na cultura de certos povos caminha lado a lado com o interesse em recuperar a posição ideal desses grupos na sociedade. Desse jeito, o questionamento sobre a apropriação cultural consiste na reflexão sobre se os objetos culturais utilizados pelo indivíduo estão recebendo o devido reconhecimento e, além disso, em reconhecer a marginalização imposta sob diferentes culturas e povos pela cultura colonizadora.
Concomitantemente, possui muita relevância o reconhecimento do “racismo estrutural” - termo frequentemente comentado por autores como Djamila Ribeiro e o professor Silvio Luiz de Almeida. Em sua obra “Racismo Estrutural”, Silvio Luiz explica o termo como o preconceito incluído na normalidade da sociedade, das relações pessoais e das relações de trabalho. São evidentes as discriminações normalizadas socialmente - seja na representação do negro em uma profissão pouco especializada nos programas televisivos, ou na sexualização e objetificação do corpo da mulher negra. Por isso, para o entendimento do efeito que a apropriação cultura pode causar, torna-se necessário compreender que diversas práticas discriminatórias ainda são presentes no cotidiano da sociedade.
Por isso, torna-se de extrema importância a ação dos órgãos públicos, a fim de dar visibilidade a pauta antirracista e temas em comum, como a apropriação cultural. Para atingir esse objetivo, o Ministério da Educação deve propor, nas escolas e empresas das redes pública e privada, palestras que abordam não somente o racismo e seus conceitos, mas sua origem histórica e social, a fim de conscientizar os estudantes e profissionais, e fortificar o ambiente escolar e de trabalho contra atos discriminatórios. Dessa forma, forma-se um país mais inclusivo e com menos desigualdades.