Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 02/12/2020
As tranças nagôs proibidas no Brasil durante o período colonial, simbolizavam a luta das mulheres negras contra o sistema escravagista, e hoje representam a resiliência dessa mesma classe ao racismo estrutural que ainda assola o país. Contudo, apesar de sua importância, esse e diversos símbolos étnicos-sociais são processados pela indústria de massa, corroborando com a perda de significado destes signos e exotização de classes já marginalizadas.
Em primeira análise, é importante salientar que diversos meios de produção consomem e incorporam elementos étnicos visando o lucro através do objetificação em massa causado por esse processo. Segundo o filósofo Theodor Adorno, a indústria cultural constrói seu ganho em detrimento da perda da individualidade das populações, nivelando o intelecto social por baixo. Nesse contexto, elementos culturais de classes sociais marginalizadas tornam-se produtos, assim como os indivíduos que a compõe.
Ademais, é notório que através do processo de apropriação cultural promovido pelas empresas de consumo massivo, indivíduos pertencentes a minorias sociais tornam-se mais suscetíveis ao processo de marginalização. De acordo com a influencer e cientista social Nátaly Neri, símbolos que antes representavam a resistência de um povo frente a opressão, hoje tornam-se produtos nas prateleiras dos supermercados, corroborando com a exotização, e consequentemente, manutenção dos sistemas de opressão preexistentes.
Desse modo, faz-se necessário que o Governo Federal recrie o Ministério da Cultura para que este catalogue e patenteie os diversos símbolos, tradições e signos culturais do país objetivando a proteção, destes e das classes sociais a que pertencem, contra a exploração da indústria cultual por meio da lei de Direitos Autorais. Feito isso, as tranças nagôs e outros elementos da cultura brasileira manterão seus significados e cumprirão seu papel social.