Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 05/01/2021
Meus costumes, minhas regras!
“A apropriação cultural não é sobre você, branco, é sobre um processo estrutural da sociedade”. A citação da ativista Nátaly Néry destaca claramente que o fenômeno mencionado não se relaciona com individualidades, mas sim com um problema histórico e social que perpetua no mundo hodierno. É sabido que ao longo dos séculos, as culturas ligadas às minorias sofreram processos violentíssimos de apagamento, tendo sua religião, cor, vestimenta e costumes inferiorizados. Todavia, é visível que, atualmente, os povos anteriormente excluídos estão ganhando notoriedade, mas de maneira errônea. Diante dessa conjuntura, evidenciam-se os nativos brasileiros e os afro-descendentes, grupos que sofreram um repressivo sistema escravocrata e que até hoje são apelidados de “exóticos” ou “marginais” pela branquitude racista. Além disso, os nacionalistas costumam argumentar que o Brasil é o “país da miscigenação”, possuidor de aproximadamente 205 milhões de habitantes divididos entre brancos, pretos, pardos, amarelos e índios conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Entretanto, é contraditório pensar que a mistura de raças é motivo de orgulho para uma nação, pois historicamente, a mestiçagem não se deu de forma pacífica, ela foi forçada pelo prório colonizador.
Em relação à apropriação cultural que a população negra enfrenta há séculos, a filósofa Djamila Ribeiro afirma: “Eu vejo minha cultura tomando proporções maiores, mas com outros protagonistas”. Ao analisar a perspectiva da filósofa, é perceptível, principalmente nas redes sociais, personalidades brancas se apoderando de elementos da negritude como as tranças e os turbantes apenas pelo seu valor estético, e não pela simbologia cultural que aquele belo adereço representa. Espontaneamente, essa realidade pode ser vista na canção “Olhos Coloridos”, interpretada pela cantora Sandra de Sá, no seguinte trecho musical: “Meu cabelo enrolado, todos querem imitar”.
Portanto, para que não ocorram incidentes ligados à apropriação de costumes, o Brasil terá que passar por um processo de reaprendizagem. Primeiramente, o Governo Federal através da Secretaria da Cultura, deve investir na publicidade com o auxílio das empresas midiáticas, apresentando propagandas que falem sobre o tema exposto, com o objetivo de difundir o conhecimento ao público sobre o assunto. Ademais, o Ministério da Educação, por meio das escolas, deve elaborar apresentações artísticas e aulas sobre a “diversidade cultural” para a comunidade estudantil, a fim de tornar a nova geração mais consciênte e indulgente. Desse modo, será possível seguir os ensinamentos da escritora Hellen Keller quando esta afirma que o resultado mais sublime da educação é a tolerância, e uma sociedade tolerante é o primeiro passo para a aniquilação dos preconceitos.