Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 04/08/2021
Inicialmente, para que se desenvolva uma análise acerca do tema em questão, a discussão acerca da apropriação cultural, é válido ressaltar que a expressão “apropriação” elenca uma característica do desenvolvimento social - o sincretismo cultural. Isto é, a relação de convergência de culturas distintas em uma nova expressão cultural, assim como ocorreu, por exemplo, no Período Helenístico. Sendo assim, é possível questionar, a apropriação cultural é, por meio da ampliação do aspecto representativo, um fortalecimento do processo de democratização no Brasil?
Em primeira análise, em face dos elementos apresentados, é necessário postular que o sentido da expressão “apropriação” fortalece uma perspectiva de usurpação de símbolos sociais, por meio da dissimulação dos seus significados anteriores. Contudo, embora esse processo seja indubitável, o que ocorre não é uma usurpação, mas sim uma integração desses símbolos a um novo contexto; ademais é imprescindível elencar que essa evolução social não é passível de sofrer refreamento normativo. Ademais, devido ao dinamismo vertiginoso das mudanças sociais do século XXI - que o filósofo Zygmunt Bauman percebeu -, as progressões humanas têm sido percebidas de forma mais clara, o que faz esse sincretismo ser mais expressivo.
Em segunda análise, é possível perceber que o sincretismo cultural fortalece o sistema democrático, por meio da ampliação do aspecto representativo das tradições populares, com base no supra aludido. Além disso, ao se relacionar o processo democrático ao referido sincretismo, deve-se elencar que, em vista do pensamento dos filósofos Rudolf Smend e Carl Schmitt, há a perspectiva de que, respectivamente, a inclusão da minoria e o princípio majoritário são so pilares da democracia. Isso é expresso, na discussão acerca da apropriação cultural, na convergência das culturas minoritárias e majoritárias em um sistema de democracia representativa.
Em suma, é possível concluir que a apropriação cultural (sincretismo cultural) fortalece o processo de democratização do Brasil e, portanto, o Estado deve fomentar o respeito à diversidade cultural como parte estrutural da sociedade brasileira. Ademais, para isso, o Ministério da Cidadania em parceria com o Ministério da Educação deve promover palestras com sociólogos e antropólogos, em universidades públicas; a fim de fortalecer o desenvolvimento cultural brasileiro prezando pela inclusão e tolerância à diversidade, atenuando polarizações ideológicas e desigualdades sociais.