Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 06/08/2021
É bastante comum de se observar nas redes sociais os ataques sofridos pelos artistas por utilizarem certo tipo de roupa, corte de cabelo ou acessório de uma cultura diferente da sua. Diante disso, é evidente a configuração de problemas relacionados aos debates sobre a apropriação cultural, conduzidos, sobretudo, pelo uso inapropriado de elementos culturais de certos povos pela elite.
A priori, convém destacar que, do ponto de vista sociológico, a cultura é um universo de símbolos e manifestações das características de uma sociedade. Nesse sentido, acessórios como turbantes carregam significados mais profundos e complexos de resistência que uma simples vestimenta. Nessa lógica, quando pessoas que não pertencem a esses grupos usam esses elementos próprios como moda, acabam desrespeitando e ressignificando os aspectos culturais desse povo e, logo, acabam causando revoltas. Desse modo, isso se reflete na frase do poeta negro B. Easy: “A cultura negra é popular, mas as pessoas negras não”, na qual ele afirma que os brancos valorizam a cultura negra, mas depreciam o povo preto.
Outrossim, a apropriação cultural é prejudicial ao legado histórico das características particulares de cada grupo. Sob esse viés, um exemplo disso é o carnaval brasileiro, o qual possui trajes que simbolizam a cultura indígena. Nesse prisma, esses trajes são frequentemente usados como adereços e fantasias, fora de seus contextos históricos, para festejar, desconsiderando, assim, qualquer significado, símbolo de resistência, empoderamento e respeito que efetivam a cultura desse povo. Em suma, são necessárias alternativas que não só mudem o comportamento em relação à apropriação cultural na sociedade, mas também forneçam representatividade das culturas que são diminuídas.
Portanto, cabe ao Ministério da Cultura, por meio de recursos midiáticos, como as redes sociais e a televisão, abrir espaços para debates de representantes da cultura negra e indígena para esclarecer a importância dos símbolos para resistência e respeito dos seus costumes e hábitos. Além disso, nesses debates os representantes devem apontar casos de apropriação cultural explicando de qual forma esse modismo desconsidera o passado discriminatório. Dessa forma, tais ações teriam como objetivo conscientizar a população acerca do tema, para que os indivíduos reconheçam o legado histórico cultural dos elementos e sua importância, para assim utilizarem de maneira respeitosa. Em síntese, o problema seria resolvido de maneira eficaz, pois, como constatou Hannan Arendt, a “pluralidade é a lei da terra”.