Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 04/09/2021
Em um mundo totalmente interligado através do sistema tecnológico é inevitável o estabelecimento de laços entre as diversas culturas ao decorrer da história da humanidade. Nesse viés, o conhecimento da cultura alheia torna-se fundamental para a desconstrução de preconceitos. No entanto, seu relacionamento intermediado pelo sistema comercial máscara a gênese do movimento coletivo, gerando, desse modo, a necessidade de discutir a contribuição de culturas para a construção da sociedade nacional.
Sob essa perspectiva, um exemplo claro de apropriação cultural no Brasil são os movimentos de resistência negra como, por exemplo, o samba e a capoeira contra a escravidão. Esse sincretismo estalecido entre a cultura africana e brasileira somente se tornou possível quando uma elite social nacional, manipuladora do pensamento da massa populacional, vizualizou nos atos de rebelião uma possibilidade de lucrar e, conseqüentemente, reprimi-los. Diante da opressão desejada pela população negra no decorrer do tempo, o poeta negro, B. Fácil tuitou em suas redes sociais que como atitudes capitalistas com a cultura torna invisivel a história de lutas desses povos, justificando uma marginalização persistente até os dias atuais.
Por conseguente, devido à importância para a construção da identidade brasileira a constituição federal de 1988, considera obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira nas instituições de ensino. No entanto, de acordo com a Secretária de Educação do Estado de São Paulo, a aplicação da lei é, ainda hoje, feita de forma individual, ou seja, o compartilhamento do conhecimento africano é de livre-arbitrio de cada professor. Diante de tal fato, a ocultação da contribuição intelectual, militar e cultural do negro para a construção do Brasil contribui para a perpetuação do pensamento racista em meio a sociedade.
Depreende-se, portanto, que em meio a uma sociedade influenciada por diversas culturas é necessário que o Ministério da Cultura em conjunto com o Ministério da Educação estimule o conhecimento da miscigenação afro-brasileira enraizada em nossa sociedade, por meio do incentivo às Instituições de ensino bem como, a fim de romper com esteriótipos socias, como também, desmistificar a cultura alheia. Espera-se, com isso, uma consolidação da lei do ensino a cultura africana.