Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 24/10/2021
No curso de uma trajetória de lutas, o ativista Martin Luther King afirmou temer mais a indiferença dos benevolentes do que as possíveis ações dos atrozes, denotando a importância do engajamento dos indivíduos em causas relevantes à nação, tal como a apropriação cultural. Indubitavelmente, a propagação de o fenômeno destituído de seu contexto reverbera o desrespeito aos grupos socioculturais. Nesse viés, é relevante avaliar não só a apropriação como um ato hostil, mas também como resultado de uma indústria de massa.
Inicialmente, é pertinente associar a adoção, em circunstâncias desprovidas de reconhecimento do domínio, de elementos próprios de um grupo étnico a atos hostis, haja vista que tal apropriação ressignifica e abala o valor de resistência da minoria e de seus rituais. Consequentemente, os símbolos socioculturais são enfraquecidos e as condutas desfavoráveis e desrespeitosas ao bem comum da população em foco crescem. Nessa perspectiva, o sociólogo norueguês Galtung elucida que comportamentos individuais os quais dissociam as riquezas culturais da identidade de um coletivo social são configurados como violência cultural. Logo, são demandadas políticas públicas capazes de promover mudanças estruturais no corpo social.
Ademais, é oportuno salientar o fato de os filósofos Adorno e Horkheimer, expoentes da escola de Frankfurt, explicarem que a indústria cultural utiliza a globalização e sua respectiva facilidade de apropriação cultural com finalidades de exploração lucrativa do fenômeno. Nesse contexto, a etnia dominante se apropria e define parâmetros e valores aos vestuários e objetos da cultura do oprimido e, por conseguinte, são massificados e passam o seu uso passa a ter novo significado. Em síntese, a manutenção do comportamento dessa indústria global reflete e perpetua o etnocentrismo sobre populações em análise.
Compreende-se, portanto, a necessidade do confronto às práticas de apropriação que desqualifiquem os aspectos culturais de outras etnias. Para tanto, é dever do Ministério da Educação a criação e divulgação de cartilhas socioeducativas- as quais orientem acerca do respeito à pluralidade cultural no país e aos contextos de uso de elementos culturais intrínsecos de um grupo. Essa ação pode ser viabilizada por intermédio de plataformas midiáticas de ampla visitação, tais como “Twitter” e “ Facebook”, a fim de assegurar a conscientização e engajamento da população brasileira acerca da proteção à heterogeneidade sociocultural do território nacional.