Discussão acerca da apropriação cultural

Enviada em 23/05/2023

A série estadunidense “Dear white people” retrata os desafios vivenciados pelos alunos negros na universidade americana, uma vez que alguns estudantes brancos realizam festas usando o negro como fantasia. Assim como na obra, esse cenário está se tornando comum na sociedade, visto que muitos brasileiros se fantasiam e utilizam acessórios que não condizem com sua cultura. Nesse âmbito, o seriado entra em sintonia com a nefasta perpetuação da busca pela discussão acerca da apropriação cultural, já que está ligada a raízes históricas e à ausência de debates.

Primordialmente, vale ressaltar que as raízes históricas são de grande importância na construção identitária brasileira. No entanto, apesar da excelência na contribuição das diversas culturas presentes no Brasil, fica claro que o legado histórico afeta na valorização delas, dado que muitos ainda lutam contra a apropriação cultural, visto que é um tema muito recorrente, como exemplo, pessoas que se “vestem” de índio, mesmo sem pertencer a cultura indígena. Tais fatos são evidenciados desde Período Colonial, no qual os portugeses exploravam os nativos e tratava-os como seres aculturados, dessa forma, faz-se necessária a quebra e a busca pela discussão da apropriação cultural no território brasileiro.

Além disso, salienta-se que a falta de debate acerca da posse cultural está interferindo continuadamente na ocorrência do uso de elementos culturais de forma indevida. Desse modo, pode-se afirmar que prova dessa ausência é o aumento na busca das minorias por voz ativa para solucionar esses casos. Nesse viés, com base nos estudos de Lima Barreto, escritor pré-modernista, “O Brasil não tem povo, tem público”, dessa forma, é inadmissível um país que é grandiosamente populacional não tenha participação ativa, deixando de lado os debates acerca da apropriação cultural existente.

Infere-se, portanto, que são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Dessa forma, cabe ao governo promover ações que diminuam os casos, por meio de debates mensais abertos ao público e realizados em praças, objetivando ampliar o conhecimento acerca da apropriação cultural e seus impactos negativos. Assim, aumentando a discussão do tema e evitando que seja colocado em prática o seriado estadunidense.