Discussão acerca da apropriação cultural
Enviada em 15/03/2024
“Três povos uma nação”. Com essa frase, o governo brasileiro procurou, desde o período da primeira república, formular a ideia de uma cultura nacional única e múltipla. Apesar da valorização de elementos culturais não europeus, esse processo também caracteriza-se pela representação, por vezes inadequada, de expressões artísticas, religiosas e de costumes destes povos.
Embora historicamente reprimida, a cultura dos povos escravizados trazidos ao Brasil resistiu. Com sua emancipação e consequente luta por direitos e reconhecimento, elementos tais como vestimentas e folclore, ganharam espaço na cultura popular. Se inicialmente tratadas como desprezo, são hoje percebidas como um importante aspecto formador da identidade pátria.
Entretanto, tal valorização e popularização esconde uma faceta perversa, a do apagamento histórico. Manifestações como danças, músicas e mesmo roupas e acessórios, são empregados sem a menor percepção do seu significado e contexto original. Tal fenômeno é amplificado em mundo marcado pela indústria cultural, onde, de acordo com filósofo Adorno, devido à sua característica massificante, seus produtos dispensam do consumidor qualquer necessidade de interpretação ou análise sobre o que lhes é apresentado.
Dessa forma, é importante que se estimule a discussão sobre diferentes expressões culturais. O governo, por meio do Ministério da Educação, pode disponibilizar em escolas da rede pública, materiais e palestras referentes à história e cultura africana, fomentando, assim, nos alunos, uma análise mais crítica e embasada sobre a utilização desses elementos. Seguramente, tal processo educativo garantirá maior respeito e valorização de uma parcela fundamental do constitutivo cultural brasileiro.