Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 15/05/2020
Na obra cinematográfica “Tomboy”, é retratado os desafios e preconceitos que uma criança enfrenta para se desfazer de sua identidade de gênero e assumir um papel com o qual não se identifica. Infelizmente, essa situação não se restringe apenas à ficção. No Brasil contemporâneo, a postura de muitos brasileiros é pautada na exclusão e discriminação da comunidade transgênero, cujos efeitos comprometem a equiparação de direitos e prejudicam a ruptura de barreiras de segregação social. Dessa maneira, reavaliar o comportamento social e impulsionar a criticidade torna-se dever de cada brasileiro, a fim de que a compreensão acerca da diversidade seja uma alternativa ao problema.
Por esse viés, fomentar o senso crítico, no meio escolar, acerca da diversidade de gêneros é um dos caminhos imprescindíveis para o combate ao preconceito com indivíduos não-binários, uma vez que, do contrário, pode ocorrer a maximização de inconscientes coletivos que qualificam um gênero em detrimento do outro. No que concerne a esse contexto, é mister buscar, nas idéias do pedagogo Paulo Freire, o enredo para a compreensão dessa problemática, já que ele traz o ensino ao foco das situações, afirmando a educação como o caminho para libertação e para autonomia dos indivíduos. Em síntese, é preciso observar essa conjuntura como uma sentença que necessita de intervenção imediata.
De outra parte, a socióloga Hannah Arendt, por meio da teoria da Banalidade do Mal, demonstra que a negligência a qualquer problema, como o persistente descaso com o sujeito transgênero, pode desencadear um caos. Em face disso, tal preceito assume contornos específicos no Brasil, onde – apesar do rótulo de sociedade democrática – há quem sustente e propague certo sentimento de indiferença com a comunidade “trans”, já que o próprio indivíduo perde a visão de interdependência social e se torna apático a transexuais. Nesses termos, percebe-se a coerência de Hanna Arendt ao determinar a conduta indiferente do indivíduo, embora velada ou culposa, como o principal gerador das adversidades ao transgenerismo. Em verdade, é notório que assegurar a empatia entre os indivíduos é um caminho inebriante para combater essa rejeição social.
É necessário, portanto, que os atores sociais trabalhem juntos frente à incidência da apatia com a transgeneridade no Brasil. Para tanto, a escola e a família devem viabilizar e fortalecer a difusão do respeito acerca daquela implicatura, pois desconstruir a intolerância nesses ambientes é destituir o sexismo e assegurar a construção de vínculos pautados em princípios de igualdade e justiça. Além disso, tal empreitada intersocial será executada por intermédio de um ciclo de ações engajadas, a exemplo de debates e projetos, que incutam o sentimento de alteridade no trato social. Por fim, objetiva-se distanciar a realidade brasileira da obra “Tomboy”.