Diversidade de gênero em questão no Brasil

Enviada em 11/04/2020

A questão da identidade de gênero e sua diversidade ainda é uma pauta bastante polêmica no contexto brasileiro, recorrente do desconhecimento do assunto por grande parcela da população e dos altos índices de homofobia no país. Essa circunstância preocupante torna evidente a necessidade de uma atuação mais contundente do governo e de instituições formadoras de opinião, para modificar essa mentalidade preconceituosa da sociedade, pois de acordo com o filosofo Voltaire “Os preconceitos são a razão dos imbecis’'.

Nessa conjuntura, com efeito da falta de informes governamentais e educacionais sobre o tema da diversidade sexual no Brasil, a maioria das pessoas não sabem diferenciar identidade de gênero; que é basicamente a forma como a própria pessoa se enxerga e se identifica; e sexo biológico, caracterizado pelas denominações ‘‘feminino e masculino’’ de acordo com o orgão genital do indivíduo. Consequentemente muitos não reconhecem e nem sabem da existência das diversas expressões de gênero considerando a existencia apenas da classificação ‘‘menino e menina’’, causando exclusão naqueles que se caracterizam com tais expressividades, como por exemplo as pessoas intersexo, que naturalmente desenvolvem características sexuais intermédias entre as definições de homem e mulher. A título de ilustração dessa displicência do governo e das escolas em debater esse assunto importante, foi proibido a inclusão da educação sexual e a discurção sobre diversidade de identidades sexuais no Plano Nacional de Educação (PNE) em 2014.

Ademais, questões de gênero e de orientação sexual ainda representam um grande ‘’tabu’’ na sociedade brasileira marcada pelo preconceito, em que, de acordo com o site de notícias Uol, a cada 16 horas ocorre uma morte por homofoia, e o atual presidente Jair Bolsonaro ridicularizou em 2018 o progeto governamental ‘‘Escola sem homofobia’’ o chamando de ‘‘Kit gay’’. Efetivamente tal cenário preocupante dificulta cada vez mais a busca por reconhecimento e respeito por parte da comunidade ‘‘LGBTq+’’, que enfrentam vários julgamentos sociais devido apenas sua orientação ou identidade sexual, contrapondo o art.2 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Portanto, com a finalidade de acabar com a razão dos imbecís de Voltaire, promover respeito e reconhecimento dos gêneros não-binários, que são bastante desconhecidos pela sociedade, cabe a instituições formadoras de opinião, como escolas, famílias e o empresariado, ampliar o debate e o conhecimento acerca dessa pauta pertinente, por meio de palestras, seminários, diálogos e entrega de cartilhas educativas. Outrossim támbem compete ao governo inserir a educação sexual no PNE, para não so informar a nova geração sobre a diversidade sexual, mas para também combater o preconceito.