Diversidade de gênero em questão no Brasil

Enviada em 03/05/2020

Na obra “O Ateneu”, do escritor realista Raul Pompéia, a personagem principal, Sérgio, ao ingressar em um colégio interno passa a ser alvo de insinuações e práticas discriminatórias quanto à sua sexualidade. Nesse contexto, porém além da literatura, a diversidade de gênero no Brasil padece devido à existência de tabus e o preconceito estrutural presente na sociedade. Em virtude disso, parte da população tem seu bem-estar comprometido pela falta de liberdade de expressão. Dessa forma, é fundamental discutir esse tema em busca de soluções.

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Através desse trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, vê-se que paradigmas quanto a essa temática é um obstáculo para a realidade, pois causa uma aversão sistemática. Sob essa óptica, é fulcral destacar que convencionar algo como proibido ou impróprio é uma forma de censura. Em virtude disso, debates acerca desse assunto e a autonomia sexual para a construção do indivíduo são prejudicados. Dessa forma, faz-se mister retirar essas barreiras para a progressão do percurso da nação rumo ao ideal.

Para o filósofo iluminista Voltáeire o preconceito é a opinião sem conhecimento. Tal máxima, mesmo séculos depois, comprova que atos intolerantes são, geralmente, consequências de uma formação moral deturpada, a qual não privilegiou princípios como a tolerância e o respeito às diferenças, que são essenciais para a convivência em harmonia. Isso advém, infelizmente, da herança de moldes antiquados de sociedades que apresentavam padrões de relações que não permitiam a homoafetividade, por exemplo. Nesse sentido, é necessário uma mudança de visão social.

Dessarte, haja vista os fatos supramencionados, é imprescindível para a resolução do impasse que o Ministério da Educação trabalhe na perspectiva de modificar a forma construção do ser no tecido civil brasileiro, por meio do aumento da carga horária destinada para aulas de ciências humanas nas instituições de ensino, com o fito de proporcionar discussões entre jovens e crianças sobre o tema da diversidade de gênero; tendo em vista a mudança da postura coletiva em detrimento das anteriores preconceituosas. Outrossim, é de suma importância o apoio governamental às entidades que lutam pelo direito de expressividade sexual através de propagandas que mostrem a mais valia desse movimento e o amparo nacional. Com tais medidas efetivadas, uma realidade oposta à vivenciada por Sérgio poderá ser atingida.