Diversidade de gênero em questão no Brasil

Enviada em 14/05/2020

Em 2017, a travesti Dandara dos Santos foi torturada e assassinada, no Ceará, em razão do preconceito contra sua identidade de gênero. Esse tipo de intolerância é constante no Brasil e gera diversos impactos à população transgênero, como a exclusão do mercado de trabalho e impactos na saúde mental. Nessa perspectiva, é essencial que o Estado crie novas medidas de inclusão e de conscientização quanto ao respeito à diversidade.

A princípio, segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), cerca de 90% estão se prostituindo para obter os recursos mais básicos de sobrevivência. Isso acontece devido ao preconceito dos empregadores, que optam por não contratar pessoas transgênero, ao associá-las erroneamente à marginalidade e ao crime, bem como à escassez de projetos voltados à profissionalização e inclusão no mercado de trabalho dessa parcela da sociedade. Nesse cenário de discriminação, grande parte da população transgênero recorre a atividades não regulamentadas, como a prostituição. Assim, o Governo precisa implementar projetos para inserir efetivamente essas pessoas em empregos regimentados.

Ademais, é psicologicamente degradante descobrir-se transgênero em uma sociedade cisnormativa, na qual é considerado errado tudo o que foge do padrão binário de gênero. Nesse contexto, ao não serem aceitos pela família e pela comunidade em geral, muitas pessoas as quais não se identificam com o gênero imposto ao nascer desenvolvem transtornos psicológicos. Essa situação é retratada na série Euphoria, em que a personagem transgênero Jules é submetida, por sua mãe, à terapia de conversão, situação a qual afetou sua saúde mental na adolescência. Desse modo, faz-se necessária uma mudança drástica da mentalidade brasileira, que deve ter início em programas de conscientização governamentais.

Portanto, para que a discriminação de pessoas transgênero no mercado de trabalho seja amenizada, o Poder Legislativo do Brasil deve criar normas que assegurem uma parcela das vagas de emprego para esses indivíduos, impedindo, dessa forma, a discriminação por parte dos empregadores. Além disso, para uma maior aceitação no convívio social, as Secretarias de Educação do país devem investir em projetos sobre a diversidade de gênero nas escolas, com o oferecimento de palestras ministradas por pessoas fora do padrão cisnormativo, visando à conscientização da sociedade e a uma consequente diminuição dos impactos psicológicos sofridos por esses cidadãos. Dessa forma, casos infelizes como de Dandara e  de Jules serão menos recorrentes no Brasil.