Diversidade de gênero em questão no Brasil

Enviada em 25/05/2020

No filme “Transamérica”, são retratadas as dificuldades enfrentadas pelo personagem Bree devido a sua identidade de gênero e orientação sexual. De maneira análoga, a realidade brasileira contemporânea nada difere do enredo ficcional citado, visto que há uma histórica cultura de preconceito e negligência governamental em lidar com a diversidade de gênero. Desse modo, várias pessoas sofrem com atos de violência e privação de direitos, o que torna necessário medidas interventivas urgentes.

Nessa perspectiva, na obra “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, é apresentada a má formação do brasileiro no que se refere ao comportamento intolerante desde o Período Colonial, relacionado principalmente aos portugueses para com as tribos homoafetivas. Tal conduta é notória hodiernamente, pois é frequente práticas violentas e segregativas com a atualmente conhecida comunidade LGBT, como insultos, agressões físicas e abandono. Destarte, tais integrantes convivem eternamente intimidados e muitas vezes são proibidos de expressar sua identidade e sexualidade, o que comprova que o país em desenvolvimento ainda apresenta comportamento de colônia.

Por outro viés, a indiferença das instituições governamentais brasileiras em garantir direitos e combater atitudes discriminatórias no que tange a diversidade de gênero, agrava ainda mais essa problemática. Em vista disso, há a quebra do “Contrato Social” proposto pelo filósofo John Locke, visto que o Estado não está a cumprir sua função de dar acesso a esse grupo à suas atribuições, como saúde, emprego, educação e igualdade. Dessa forma, percebe-se que tais indivíduos são excluídos socialmente, o que torna importante uma mudança de comportamento estatal para lidar com as diversas identidades presentes no país.

Portanto, é notório que a diversidade de gênero ainda possui vários impasses e urgem ações afirmativas. Para tanto, cabe ao Poder Legislativo fazer cumprir os direitos dessas pessoas, por meio de fiscalizações e reformas, a exemplo da Reforma Trabalhista  LGBT realizada em 2017, com o fito de incluí-los socialmente. Outrossim, a Mídia deve propagar a diversidade de gênero e opções sexuais, por meio de companhas como a “Escolha o Amor, a fim de formar uma sociedade tolerante e consciente. Por fim, com o empenho na realização de tais medidas, situações como no filme “Transamérica” não serão mais realidade no Brasil.