Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 15/05/2020
Aristóteles caracterizou a harmonia de uma sociedade como o “Bem Soberano”, a qual afirmava que toda cidade possui um bem comum como meta, de forma a garantir os direitos de todos os cidadãos. Entretanto, é irrefutável que no Brasil hodierno essa conjuntura aristotélica foi tolhida dos indivíduos que buscam por uma diversidade de gênero, haja vista o preconceito e a formação social que essa parcela populacional está inserida. Logo, têm-se um contexto caótico que fere a democracia e políticas são fulcrais para reverter esse contexto.
Nesse âmbito, é irrefutável que a diversidade de gênero foge dos padrões da sociedade atual, pois a estrutura familiar nuclear patriarcal encontra-se extremamente enraizada na população, a qual dificulta uma mobilidade de gênero. Diante disso,Pierre de Bordieau em sua teoria do “habitus” afirmou que os indivíduos interiorizam o exterior e exteriorizam o interior, ou seja, o costume é aprendido e repassado, e gera como consequência a perenização de valores. Isso posto, percebe-se a linha tênue entre o habitual e o preconceito com as diversidades de gênero, visto que o último vai de encontro a estrutura social perpetuada pelos princípios modernos. Dessa forma, as heranças sociais são a força motriz para as hostilidades com o público LGBT, e a reversão desses valores é fulcral para erradicar essa mazela.
Outrossim, Jean Jacques Rousseau afirmou “O homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se acorrentado” ,em face disso torna-se axiomático que a sociedade sob a qual um cidadão está anexado é a principal repressora das liberdades e das garantias individuais. Sob esse viés, é inegável que a estrutura social impede a população transgênero de exercer seus direitos, visto que a tirania do heterossexualismo repele qualquer tipo de variante , a qual corrompe a possibilidade de pluralidade sexual. Desse modo, é notória a correlação da hegemonia heterossexual com as correntes afirmadas por Rousseau, e para reverter esse conjuntura ademocrática é imperioso uma remodelação nos padrões sociais com o desígnio de esfacelar a ditadura sexista.
Infere-se, portanto, que a diversidade de gênero tornou-se uma utopia no Brasil contemporâneo, e ações são necessárias para reverter esse cenário. Para isso, o Ministério da Educação deve praticar a alteridade da população, por meio de práticas lúdicas, a exemplo de grupos de leitura que visem o debate sobre as questões da sociedade, com fito de erradicar o preconceito com as diversidades sexuais. Ademais, o Ministério da Cidadania deve garantir os direitos da população transgênero, por intermédio de práticas intelectuais, como a distribuição de livros a exemplo do “Segundo Sexo” de Simone de Beauvoir, com fito de democratizar as questões de gênero e destituir o sexismo. Destarte, essa prática aproximará o Brasil do ideal harmônico de Aristóteles.