Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 03/09/2020
Durante o governo nazista na Alemanha, houve uma perseguição contra judeus, negros e homossexuais, baseada na ideia de que o homem, branco, cristão, ariano e hétero era um ser humano superior a todos os demais. Contudo, apesar de avanços do respeito ao diferente na contemporaneidade, ainda há desafios a desafios a serem superados, principalmente no que tange a diversidade de gênero. Sob tal ótica, a discriminação contra pessoas que não se identificam simplificadamente como homem ou mulher é um problema extremamente grave no Brasil e tem a sua origem na falta de conhecimento sobre o assunto e na ideia de que há uma forma correta de amar.
Inicialmente, a visão do outro como uma pessoa dotada de sentimentos é atrapalhada pela ignorância e pelo preconceito. Por exemplo, no filme “Jogo da Imitação”, um homem trabalhava para a inteligência do Reino Unido durante a 2ª Guerra Mundial, porém ao descobrirem que ele era gay, obrigaram-no a tomar remédios para mudá-lo. Dessa forma, ideias de que indivíduos LGBT são “anormais” ou sofrem de alguma doença que precisa de cura ainda são comuns na sociedade brasileira, consequentemente elas corroboram para a desumanização desse grupo, pois as suas emoções são consideradas um distúrbio, consequentemente, ocorrem atos de exclusão e violência.
Outrossim, relacionamentos e posturas que fogem do padrão tido como correto são punidos. Em consonância com Durkheim, fatos sociais são as regras que dão coesão à sociedade, porém aqueles que não as seguem sofrem sanções. Paralelamente, no livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, os meninos que tivessem casos entre si eram expulsos do trapiche. Diante disso, nota-se que o amor visto como certo é o entre homem e mulher cis, mas qualquer outro que não esse é tido como incorreto. Nesse sentido, aqueles que buscam ser livres para estar com quem gosta ou assumem o seu gênero são discriminados, porquanto essas pessoas fogem do padrão binário pré-estabelecido.
É mister, portanto, tomar medidas que diminuam o estigma contra as pessoas de diversos gêneros. Logo, cabe ao Poder Executivo Federal elaborar propagandas explicativas sobre a importância do respeito à liberdade de amar e modificar o próprio corpo, por meio do esclarecimento de conceitos como LGBT, cis/trans e a diferença entre sexo e gênero. Ademais, será feita uma parceria com emissoras de televisão para a criação de uma minissérie que narre o cotidiano de indivíduos de diferentes orientações. Espera-se, assim, conscientizar a população de que não se trata de uma patologia e humanizar aqueles vistos como diferentes.