Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 07/01/2021
A demissão do analista político Leandro Narloch, em 2020, da CNN Brasil após um comentário no qual afirmava haver uma promiscuidade homossexual evidenciou a homofobia nacional. Notadamente, o desrespeito à diversidade de gênero oprime de forma indignante e inaceitável não só gays, mas transgêneros e intersexuais em detrimento da heteronormatividade. Afinal, tal pluralidade é obliterada pela sociedade enquanto ignorante da Ciência.
Inicialmente, a persistência do preconceito descrito é, em parte, culpa dos indivíduos. Em outras palavras, segundo o pai do Libertarismo, John Mill, a dinamização do corpo social se dá pela constante mudança de valores- fato que conclui em liberdade. Nesse sentido, considerada a desídia governamental no que tange ao assunto- reconhecida pelo STF (Supremo Tribunal Federal)- cabe aos indivíduos, articulados ou não, empregar medidas combativas ao estigma. Historicamente, o movimento sufragista inglês e os protestos ambientalistas solitários de Greta Thunberg demonstram que as lutas pró-pluralidade que igualem pansexuais a heterossexuais passam, igualmente, pela sociedade.
Posto isso, os discursos divisíveis abordados contrariam a Ciência. Sociologicamente, os estudos de gênero apresentam avanços recentes e significativos que, inflamados pelo movimento gay estadunidense dos anos 80, culminaram na teoria “queer” de Judith Butler, a qual questiona mesmo o sexo biológico como construção social. Medicinalmente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) privou a homossexualidade de categorizações patológicas. Enfim, mesmo o papa- cuja religião é usada como sustentáculo argumentativo aos casos- fundamentou no amor quaisquer relações sexuais, fato que, inegavelmente, estimula, em adição à Ciência, todo o escopo do tipo que, rapidamente, se revela.
Em suma, a diversidade de gênero, ignorada no Brasil, ampara-se na Ciência e deve ser o fito das lutas cidadãs. Urgentemente, o Poder Executivo, pressionado por movimentos sociais, deve estimular mudanças individuais de valores referentes à pluralidade, por meio de leis- como um código pró-diversidade que puna os preconceituosos e incuta a prestação de serviços à associações LGBTQI+ na pena- para que a sociedade evolua em respeito. Só assim, pessoas como Narloch serão execradas.