Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 03/01/2021
Oscar Wilde, em “O amor que não ousa dizer seu nome”, se declara homossexual numa sociedade britânica extremamente conservadora, essa revelação acaba por ser responsável pela prisão do escritor, destacando o caráter preconceituoso da sociedade. Para além das páginas, a discriminação sofrida por Wilde faz-se presente no cotidiano brasileiro e é responsável pela perseguição contra qualquer diversidade de gênero que não seja a tradicionalmente aceita. Isso não se evidencia apenas pela falta de compreensão das pessoas, mas também pela construção histórica de opressão no Brasil.
Em uma primeira análise, sob a ótica social, a falta de empatia do povo ergue-se como uma realidade empírica em decorrência dos graves casos de violência contra os diversos gêneros dos indivíduos. Isso porque a humilhação, em suas mínimas expressões, desconstrói a identidade pessoal e, consequentemente, reprime a expressão individual da opção sexual e identitária da pessoa, impossibilitando sua expressão e aceitação social, na medida em que promove a sensação constante de medo e culpa pela sua personalidade. Segundo o jornal G1, o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais, o que destaca o caráter predatório da sociedade brasileira em não aceitar o povo LGBTQI+. Dessa forma, a falta de compreensão é responsável pela morte e danos a esse grupo.
Ademais, em segundo plano, historicamente, o Brasil é intolerante com as minorias. Essa correlação pode ser estabelecida por meio da forte exclusão desse segmento social nas esferas políticas e a falta de leis efetivas que permitam a ampla expressão da diversidade de gênero no país. Jurgen Habermas, nesse sentido, em sua obra “A inclusão do outro”, ressaltou a importância da coletividade plural para o funcionamento das democracias,logo, a representação das minorias, como os LGBTQI+, é fundamental para o funcionamento estrutural da maquinaria Estatal brasileira, uma vez que possibilita o atendimento a essa população às margens de uma sociedade conservadora. Dessa maneira, a participação dessas pessoas nas variadas pastas governamentais é importante para assegurar seus direitos.
Torna-se evidente, portanto, que a questão da diversidade de gênero no Brasil é refém de atitudes antipáticas de parcela significativa do país e da baixa representação histórica desse grupo na política. Para reverter esse quadro, é preciso que o Poder Executivo, por intermédio do Ministério da Cidadania, faça, aliado às famílias, a garantia da humanidade e igualdade no tratamento dos diversos gêneros. Isso deve ocorrer por meio da educação pautada nos direitos humanos e respeito com o outro, a ser desenvolvida em postagens educativas nas redes sociais em horário nobre, como forma de garantir a inclusão e reduzir os casos de violência contra esse grupo. Espera-se,assim, que a sociedade brasileira seja de fato mais empática e segura do que aquela encontrada por Oscar Wilde em seu tempo.