Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 14/01/2021
De acordo com a Constituição Federal de 1988, o estado brasileiro tem o dever de prover e manter o bem-estar de seus cidadãos. No entanto, lamentavelmente, na sociedade hodierna, é possível observar a falha do estado em conceder esta segurança a muitos indivíduos que, por possuírem traços ou personalidades que contrariam o padrão conservador da comunidade acerca da sexualidade, acabam sofrendo com uma grave discriminação. Neste cenário, destacam-se a incapacidade do sistema educacional brasileiro em ensinar os jovens a aceitarem as diferentes características de cada indivíduo e o consequente preconceito acerca da diversidade no espectro da sexualidade humana.
Nessa perspectiva, é possível observar certa ignorância em muitos membros da comunidade com relação a elementos da sexualidade humana, como identidade de gênero e orientação sexual. Diante disso, torna-se pertinente a análise de uma frase do filósofo alemão Immanuel Kant:“o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Dessa forma, pode-se inferir que a supracitada insciência da população acerca de tais assuntos é consequência da negligência do sistema educacional brasileiro para com este elemento da natureza humana, podendo gerar intolerância e preconceito direcionados a indivíduos inocentes. Assim, é preocupante a existência de cidadãos que promovam boicotes contra a discussão e aprendizado de tais questões, pois assim estão fazendo uso da liberdade de expressão para oprimir outros membros da comunidade.
Outrossim, é certo que existe grande preconceito contra aquilo que foge do padrão conservador de sexualidade na sociedade brasileira, ao ponto em que uma simples demonstração de afeto entre indivíduos do mesmo gênero em público pode gerar piadas ou até mesmo agressões. Desse modo, é possível considerar uma afirmação do filósofo francês Voltaire:“preconceito é opinião sem conhecimento”. Logo, fica explícito o fato de a discriminação existente na sociedade ter sido construída com séculos de desinformação, nos quais foram difundidas ideias errôneas sobre aqueles que não acatam a heteronormatividade imposta pela maioria, sendo, infelizmente, marginalizados e excluídos na comunidade até os dias atuais.
Diante das questões apresentadas, é possível concluir que a diversidade de gênero é vista com aversão por muitos membros da sociedade brasileira, sendo imperioso que tal situação seja discutida e combatida de forma adequada. Para tal, é necessário que o Ministério da Educação torne obrigatório o aprendizado de questões relacionadas à diversidade da sexualidade humana, por meio de reuniões em espaço pedagógico, como aulas e palestras. Nesse sentido, esta ação tem como objetivo formar indivíduos que sejam mais tolerantes com as diferenças que existem na comunidade atual.