Diversidade de gênero em questão no Brasil

Enviada em 05/02/2021

A diversidade de gênero, desde os movimentos pelo reconhecimento da comunidade LGBT no final do século vinte, tem ganhado cada vez mais visibilidade, o que se dá tanto pelo fato de os indivíduos que não se identificam com seu sexo biológico estarem ganhando lugar na mídia, como por causa dos diversos tipos de violência que essas pessoas sofrem diariamente no Brasil, as quais trazem diversas consequências negativas para elas e para a sociedade como um todo. Com isso, vê-se necessária a intervenção estatal para que haja a diminuição da problemática.

Nesse contexto, a escritora Simone De Beauvoir, em seus livros, demonstrou que os gêneros são “construções sociais”; quando se fala do feminino, por exemplo, indica-se todas as características que a sociedade associa a “ser mulher”. A partir do entendimento sobre o que é gênero e de que a sociedade estipulou como normativo apenas o feminino e masculino, compreende-se a existência de um preconceito contra indivíduos que fazem parte do grupo de diversidade de gênero, ou seja, que não obedecem à cisnormatividade profundamente “enraizada” na população brasileira, o que pode ser visto nos diversos casos de transfobia vistos diariamente no Brasil. Como consequência dessa discriminação, essas pessoas sofrem violência física (que, muitas vezes, ocasiona a morte da vítima) e psicológica, a qual gera estresse, ansiedade, baixa autoestima e depressão.

Ademais, as pessoas que realizam atos de caráter discriminatório contra indivíduos que não são cisnormativos, o que foi criminalizado em 2019, quando presas, auxiliam na superlotação dos presídios e no sucateamento do sistema penitenciário brasileiro, o que prejudica o Brasil como um todo levando em conta, também, o aumento dos gastos públicos com esse acréscimo de presidiários, piorando a crise econômica. Assim, pode-se compreender como o preconceito contra a diversidade de gênero prejudica a sociedade como um todo e a necessidade de que as pessoas sejam conscientizadas, desde cedo, a respeitar aqueles que não são cisnormativos.

Portanto, com o objetivo de diminuir a discriminação contra a heterogeneidade no que se refere ao gênero no contexto brasileiro, é necessário que o Ministério da Saúde crie uma metodologia que as instituições educacionais seguiriam para conscientizar os alunos quanto aos indivíduos que não seguem a cisnormatividade, de modo que as escolas do Ensino Infantil e Ensino Fundamental I utilizariam músicas e brincadeiras nesse processo, enquanto as do Ensino Fundamental II ensinariam por meio de aulas semanais sobre o assunto e as do Ensino Médio promoveriam palestras com especialistas no assunto bimestralmente para os estudantes. Desse modo, a médio prazo, a população brasileira seria conscientizada quanto à diversidade de gênero e ao preconceito contra ela.