Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 28/06/2021
Junho é internacionalmente conhecido como o Mês do Orgulho LGBTQIA+, em que a mídia volta seus olhares e procura dar visibilidade às diferentes identidades de gênero e sexualidades. Todavia, dados da organização Transgender Europe revelam que o Brasil é o país que mais mata transexuais e travestis, em decorrência do apagamento das diversas identidades vistas com ignorância e da ausência de políticas públicas que protejam os que fazem parte da comunidade. Portanto, urge que medidas sejam tomadas na esperança de um futuro mais seguro e acolhedor.
Primordialmente, é preciso entender a vivência dos diferentes gêneros no Brasil. Na série estadunidense “Pose”, são observadas as mazelas sociais e dificuldades enfrentadas pela comunidade LGBTQIA+ de Nova Iorque durante os anos oitenta, numa luta diária pela sobrevivência na década da ignorância. Fora da ficção, todo aquele que não se identifica com o gênero que lhe foi dado no nascimento sofre num país que, segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, assassinou 175 mulheres trans em 2020. Logo, é perceptível a necessidade de mudanças que busquem a garantia de vida e respeito para todos.
Em segundo lugar, o entendimento da diversidade e o respeito por ela são fatores que precisam ser incentivados desde a infância. Como consequência do apagamento na mídia, imprensa, redes sociais e escolas, o processo de aceitação é doloroso para muitos que se descobrem LGBTQIA+ ao longo da vida. Por conta do preconceito familiar, são muitos os que abandonam as instituições de ensino e são expulsos de casa. Projetos como a Iniciativa Íris e a Organização Transvest são apenas alguns dos muitos que buscam auxiliar essa parcela da sociedade a retornar aos estudos, cuidar da saúde mental e alcançar grandes oportunidades em todos os locais.
Sob esse viés, pode-se concluir que a questão da diversidade de gênero precisa ser discutida a fim de amenizar os efeitos negativos da intolerância. É importante que a mídia busque — por meio de investimentos governamentais — produzir campanhas publicitárias que divulguem projetos voluntários, como os já citados. Além disso, cabe às escolas, com auxílio das Secretarias Municipais de Educação, fornecer palestras e eventos que conscientizem os alunos acerca dos diferentes gêneros com os quais podem se identificar. Visando combater o preconceito e incentivar o respeito, somente assim o Brasil será seguro para todos que desejam liberdade para ser, viver e transformar.