Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 07/10/2021
Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social se caracteriza pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na contemporaneidade é o oposto do que o autor prega, haja vista a infração da diversidade de gênero no Brasil. Esse cenário antagônico é fruto tanto da tardia retirada da homossexualidade na condição de transtornos mentais, quanto das dificuldades no ambiente de trabalho da comunidade LGBT.
É importante pontuar, de início, que o tardamento da desarticulação da homossexualidade como uma doença mental é um fator exógeno do descumprimento da plena diversidade de gênero, sendo que resulta na consolidação de um cenário danoso. Conforme a Associação Americana Psiquiátrica (APA), em 1973, e a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1992, retiraram a homoafetividade da condição psiquiátrica, ou seja, da categoria dos transtornos mentais. Contudo, a homossexualidade é tida como condenação moral, criminosa e doentia e consequentemente, essa minoria sofre com a discriminação e rejeição, bem como são estigmatizados por conta da sua orientação sexual. Comprova-se isso, por exemplo, ao analisar os dados da violência generalizada, sendo que uma pesquisa de uma ONG, chamada Grupo Gay da Bahia afirma que a cada 20 horas, um indivíduo LGBT morre no Brasil. Assim, percebe-se o agravamento desse panorama e a necessidade, urgente, da sua modificação.
Cabe ressaltar também que as pessoas da comunidade LGBTQIA+, símbolo que engloba as distinções da diversidade de gênero e orientações sexuais, sofrem no que se refere à entrada no ambiente corporativo. Segundo uma pesquisa da Center for Talent Innovation, 61% de funcionários homossexuais decidem ocultarem sua sexualidade de gestores e colegas, em razão do risco de perderem o emprego, devido ao preconceito existente. Dessa maneira, esses dados revelam a relutância mantida por diversas empresas em relação à contratação ou efetivação de membros da comunidade, independentemente da área de atuação e de suas qualificações, o que compromete na execução da inclusão desses cidadãos no ambiente laboral e no pleno desenvolvimento da sociedade.
Logo, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço dessa problemática no Brasil. Como disse o filósofo Imamnuel Kant: “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Portanto, o Ministério da Educação deve promover palestras educativas e debates com pais, os jovens e o corpo docente das escolas sobre a história da sexualidade, os mecanismos de exclusão e a produção da norma sexual construída ao longo do tempo, através de uma didática eficaz e adequada a cada idade, no intuito de que haja a consolidação de uma sociedade próspera de valorização e dignidade de todas as pessoas.