Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 26/10/2021
“Filadélfia” é um filme que se passa no final do século XX, que conta a história de um homem gay - mas que não era assumido - que adquire HIV. Como a doença era relacionada aos homossexuais, todos ficam sabendo de sua sexualidade e, por consequência de uma sociedade preconceituosa, ele perde o emprego e muitos amigos. Fora de ficção, mas de forma análoga, a diversidade de gênero ainda é um tabu no Brasil. Isso ocorre por causa da perpetuação de ideais obsoletos e também pela falta de educação sexual nas escolas.
A priori, um dos principais pilares das religiões que se baseiam na Bíblia é a existência do bem e do mal. Essa ideia se encaixa inclusive na questão sexual: o prazer é relacionado ao profano e a “pureza” do corpo ao divino. Nesse sentido, esse maniqueísmo perpetua a lógica de que tudo além do sexo que não tenha função reprodutiva é pecado. Forma-se, assim, a famÍlia “tradicional” heteronormativa, já que pessoas do mesmo sexo não podem se reproduzir. Essa ideologia se manteve por muito tempo, haja vista que a corrente religiosa predominante no brasil - o cristianismo - se baseia na Bíblia. Por conseguinte, o debate quanto a diversidade de gênero, apesar de estar em expansão, ainda é muito limitado devido a essa ampla perpetuação de ideais obsoletos. Portanto, faz-se mister que o Estado amplie o debate.
Ademais, no livro “Pedagogia do Oprimido”, Paulo Freire coloca a educação como uma prática de libertação e auto conhecimento. Nessa lógica, fica claro que a escola deve ser um facilitador no que tange à auto descoberta acerca das questões de sexualidade das pessoas, sendo que isso só é possível por meio da educação sexual. Contudo, apesar da necessidade, no Brasil, por ainda ser um tabu, a educação sexual ainda é muito pouco difundida e as políticas públicas para essa problemática são insuficientes. Por consequência, ocorre a manutenção da homofobia, uma vez que as questões relacionadas à sexualidade no país não são debatidas, mas sim impostas por ideologias que reforçam o padrão heteronormativo.
Doravante, a fim de ampliar as discussões sobre diversidade de gênero no Brasil, é dever do Estado romper com preconceitos e normas estruturais obsoletas que reforçam a homofobia, por meio da implementação na grade curricular da disciplina de educação sexual, que deve ser ministrada por profissionais especializados na área. Além disso, concerne ao Estado também ampliar a cidadania das minorias homossexuais, por meio de leis que garantam igualdade jurídica, como, por exemplo, o direito ao casamento homoafetivo. Quiçá, com tais ações, formar-se-á uma sociedade livre de tabus estruturais e plenamente democrática.