Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 17/11/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em suas obras, uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso valorizar a questão da diversidade de gênero no Brasil. Nesse sentido, a fim de dissertar e argumentar sobre essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.
Mormente, deve-se salientar a ausência de medidas governamentais para combater o preconceito que atinge pessoas com orientação sexual e identidade de gênero diferentes do que é imposto, há centenas de anos, pela sociedade. Nessa conjuntura, Otto Von Bismarck, estadista mais importante da Alemanha do século XIX, afirmou que o Estado deve garantir o bem-estar social da população. Sob esse viés, na medida em que existem pessoas sofrendo discriminação, ameaças e até assassinato, por não se enquadrar no “padrão social”, observa-se, a falha da função do poder público, o que é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar que uma parcela da população se mostra alienada. De acordo com musicólogo Vladimir Jankélévitch, em seu livro entitulado “Paradoxo da moral”, o homem moderno carrega uma cegueira ética, ou seja, as pessoas apresentam passividade frente aos impasses enfrentados. Similarmente, os cidadãos brasileiros não enxergam que todo ser humano precisa ser respeitado independente de suas escolhas e diferenças, que são essenciais para a pluralidade individual e construção social. Essa situação ocorre, porque a população adquire uma postura individualista e não se movimenta em prol de mudar essa condição. Desse modo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Sendo assim, cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, formular políticas de proteção eficazes para combater a discrimição e exclusão social por orientação sexual e identidade de gênero. Paralelamente, é imperativo que o Ministério da Educação promova uma série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto, que tenham alunos do ensino fundamental e médio como público-alvo. Essa ação deve ser compartilhada na rede social do Ministério em formato de “Live”, com a finalidade de trazer mais clareza sobre o respeito a diversidade de gênero, atingindo um publico maior. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela incorporação dos elementos elencados na Magna Carta.