Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 23/03/2022
A Revolução Francesa trouxe garantias inimagináveis ao Brasil. Nele, a Consti-tuição de 1988 integrou os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade. Se se-guidos corretamente, esses ideias garantiriam a ausência de problemas econômi-cos e sociais. Entretanto, com a aplicação falha da Carta Magna, as intolerâncias à diversidade de gênero se configuram como um grave problema social. Dessa ma-neira, contribuem para a continuidade desse lamentável quadro condutas padroni-zadas e confrontos ideológicos.
Em primeiro plano, é imprescindível que a sociedade não assuma os mesmos contornos da Casa Verde, retratada na obra “O Alienista” de Machado de Assis. O autor, tecendo uma crítica social, cria uma personagem que interna a maioria da população da cidade na casa, devido a supostos comportamentos anormais. Tra-zendo isso à realidade, a identidade de gênero, embora pareça ser de escolha indi-vidual, é solidificada por condutas padronizadas que, em parte, a sociedade pre-conceituosa impõe. Com efeito, a liberdade de escolha de objeto sexual – seja ho-mem ou mulher – é transgredida, o que pode acarretar ainda em mazelas psicoló-gicas devido à repressão do desejo sexual.
Em uma análise detalhada, no livro “O Mal-Estar na Civilização”, Freud assevera que a cultura gera mal-estar nos indivíduos em função da existência de um conflito entre as suas exigências e as da civilização. Desse modo, surgiu, a princípio, a exal-tação e consolidação de uma única orientação – a heterossexualidade –, que fez com que houvesse a cristalização desse percurso. Hoje, há, contudo, a emergência de novas modalidades de gênero, como travestis e transexuais, que não são acei-tas. Logo, o encontro dessas ideologias ilustra o confronto dissertado por Freud, visto que, infelizmente, a maioria sobrepõe-se à camada menor.
Fica evidente, portanto, que as intolerâncias à diversidade de gênero são pre-ocupantes e dificultam a plena aplicação da Lei Maior. À Mídia cabe desfazer a im-posição de comportamentos padronizados por meio de ficções engajadas. Ao Mi-nistério da Educação, na figura das escolas, compete realizar aulas e debates em torno da diversidade e incentivar a reversão de práticas ideológicas fadadas à acei-tação de uma única orientação sexual.