Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 29/10/2022
Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz, em suas “Memórias Póstumas”, que não teve filhos e não transmitiu a nenhum ser vivo o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente a diversidade de gênero é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática do preconceito que persiste, intrinsecamente, ligado à realidade do país, seja pela insuficiência estatal, seja pela ineficiência midiática no tema.
Nessa perspectiva, a ingerência governamental, estudada fortemente por Paulo Freire em seu ensaio “Pedagogia do Oprimido”, é uma ferramenta de opressão que limita a instrução social da comunidade brasileira. Deste modo, identifica-se que, como vivenciado por Brás Cubas em sua jornada, o Poder Estatal formou uma instituição escolar que não é apta para lidar com a identificação sexual pessoal do jovem em desenvolvimento. Logo, é fundamental a promoção de campanhas escolares concisas sobre a temática.
Ademais, “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”, essa reflexão de Zigmunt Bauman defronta-se, indubitavelmente, com o autoritarismo examinado por Paulo Freire. Desta maneira, a análise da conjuntura precária, que cerce a exclusão e antipatia contra os grupos LGBT+, é silenciada na mídia por não ser um assunto atrativo e lucrativo, assim, torna-se margeado. Nesse sentido, é inegável como a manipulação midiática alicerça o desentendimento e a relutância sobre aqueles que possuem identidades de gêneros “diferentes”, pois conclui-se que a pouca visibilidade direcionada para essa problemática perdura o infortúnio observado pelo patrono da educação brasileira.
Infere-se, portanto, uma agrura no cenário nacional. Por conseguinte, o Poder Executivo deve, por meio da utilização das verbas da União, criar, no espaço escolar, projetos e debates com especialistas sobre a constatação do gênero de cada jovem, ajudando-os a compreender, da melhor forma, os seus sentimentos pessoais. Além disso, o Estado deve fazer um programa televisivo, o qual demonstrará, para as diversas camadas populares, a importância do respeito à diversidade. Logo, será possível a extinção de um legado histórico miserável.