Diversidade de gênero em questão no Brasil
Enviada em 16/09/2024
A história do Brasil revela a supressão da diversidade de gênero desde a desco-berta nacional, quando povos originários, que não conheciam o conceito binário de gênero, foram forçados a seguir padrões normativos europeus. A pluralidade foi, então, reprimida. Dessa forma, é pertinente analisar a promoção da diversidade de gênero sob as perspectivas dos direitos humanos e da coesão social.
É mister ressaltar, em primeira instância, que o apoio à pluralidade identitária ajuda a garantir que todas as pessoas, independente de identificação de gênero, tenham acesso igual a oportunidades e direitos. De acordo com o estudioso Milton Santos, se a igualdade de direitos não atingir todo o corpo social uniformemente, a cidadania é comprometida. Nesse contexto, o suporte à diversidade de gênero é essencial para a manutenção da justiça social. Uma vez que, ao reconhecer e apo-iar a diversidade de gênero, a sociedade pode avançar na garantia de direitos igu-ais para todos, como garantir o respeito ao nome social escolhido por aqueles que se identificam com essa designação.
Outrossim, a inclusão de todas as identidades de gênero fortalece o sentimento de pertencimento e a identidade coletiva, promovendo a coesão social. Nesse sen-tido, quando as pessoas veem suas identidades reconhecidas e respeitadas, elas tendem a se engajar mais ativamente na sociedade, como é o caso de candidatar-
-se a cargos públicos. Dessa maneira, a exclusão alimentada pela violência simbó-lica, conceito desenvolvido pelo sociólogo Pierre Bourdieu para descrever o uso de termos pejorativos que legitimam desigualdades, será diminuída. Portanto, ao combater a violência simbólica, a sociedade cria um ambiente mais acolhedor.
Diante do exposto, acerca da necessidade de apoio à diversidade de gênero, é imperativo que medidas sejam tomadas. Logo, o governo, em parceria com organi- zações de direitos humanos e instituições educacionais, deve ser responsável por implementar campanhas educativas. Para essa finalidade convém destinar 5% do Produto Interno Bruto para workshops promovidos em escolas e universidades, a-bertos ao público, e conduzidos por especialistas em direitos humanos, com o ob-jetivo de erradicar a discriminação atrelada à multiplicidade de gênero no país. As-sim, existirá um ambiente acolhedor, diferente do imposto pelo colonizador.