Doenças autoimunes: desafios para o tratamento no Brasil
Enviada em 12/09/2024
Alexei Romanov, príncipe do Império Russo e assassinado durante a Revolução de 1917, foi um famoso portador de hemofilia, doença autoimune incompreendida em seu tempo. Outrossim, apesar dos grandes avanços da medicina, as enfermida-des autoimunes continuam a afetar boa parcela da população, cujos tratamentos constitem um grande desafio de saúde pública no Brasil. Nesse sentido, faz-se ne-cessária uma análise desse dilema sob dois pontos principais: falta de capilaridade do sistema de saúde e a vasta diversidade genética do povo brasileiro.
Em primeira análise, é necessário ressaltar a ausência de medidas governamen-tais para mitigar a carência de profissionais da saúde no interior do Brasil. A Cons-tituição Federal, em seu artigo 196, determina que “a saúde é direito de todos e de-ver do Estado”. No entanto, esse preceito não é concretizado na prática, uma vez que o interior do país sofre com a falta de capilaridade do sistema de saúde públi-co. Dessa forma, diante da ausência de médicos capacitados nessas áreas, o diag-nóstico de doenças autoimunes torna-se acessível somente a uma pequena elite. Verifica-se, então, que a falta desses profissionais dificulta o diagnóstico e subse-quente tratamento dessas enfermidades, sendo certo que as autoridades devem rever seu posicionamento referente ao tema.
Ademais, também é importante denotar a vasta diversidade genética do povo brasileiro, herança da miscigenação de diversos povos. Entretanto, essa variabilida-de mina o tratamento de doenças: segundo divulgado pela revista Nature, as con-dições autoimunes dependem de um complexo mapeamento genético do paciente para que seja feito um tratamento eficaz e, quanto maior a diferença genética, mais específico é o tratamento. Assim, um povo com grandes diferenças gênicas, somado a um sistema de saúde ineficiente, são grandes desafios ao diagnóstico e tratamento dessas enfermidades, devendo as autoridades agir diante do impasse.
Portanto, diante do exposto, o Ministério da Saúde deve criar, mediante verbas governamentais, um comitê permanente de doenças autoimunes. Tal órgão seria constituído por médicos e gestores públicos, com a função de levar atendimento aos rincões do Brasil, por meio de mapeamento de áreas carentes, com a finalida-de de concretizar o art. 196 da Constituição e garantir, assim, isonomia na saúde.