Doenças autoimunes: desafios para o tratamento no Brasil

Enviada em 12/09/2024

“Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago, é uma obra fictícia que retrata o cotidiano de personagens em um futuro distópico marcado por uma devastadora epidemia. Analogamente, o Brasil atual enfrenta empecilhos no tratamento de doenças autoimunes em grande escala. Tal revés possui potencial de escalamento e decorre da inércia estatal e da falta de instrução dos cidadãos.

Nesse contexto, é notório que a falta de ações efetivas do Estado em relação à demanda de tratamentos de doenças autoimunes em território nacional impede a superação do problema. Acerca disso, Michel Focault afirma que é papel governa-mental garantir o bem-estar dos indivíduos, o que exige atuação ativa para assegu-rar a integridade física geral. Todavia, a saúde dos brasileiros que sofrem dessas enfermidades não está dentre as prioridades da esfera administrativa, uma vez que não há campanhas ou ações políticas específicas para a resolução do problema. Assim, essa parcela da população, de acordo com a BBC Brasil, se torna mais propensa a desenvolver também doenças mentais, como depressão e ansiedade.

Ademais, a mentalidade coletiva brasileira é marcada pela carência do entendi-mento da importância do cuidado contínuo e do preventivo. Acerca disso, Paulo Freire afirma que a autonomia do indivíduo decorre de uma formação que constói o entendimento da realidade em que o indivíduo se encontra, seja social ou física. Nesse sentido, a capacidade de tomar decisões que remetem ao autocuidado e deriva de uma educação ampla e prática, que desconstrua medos e tabus e reforce o senso de autopreservação. Dessa forma, apesar de já haver métodos eficazes, tanto de prevenção quanto de tratamento das doenças autoimunes, ambos são negligenciados esse tipo de enfermidade, segundo a revista Superinteressante, continua a afetar drasticamente considerável parcela da população.

Portanto, urge a necessidade de ação estatal. Logo, cabe ao Ministério da Saúde elaborar uma campanha de atendimento e conscientização geral. Tal campanha deve contar com a participação de médicos especializados em doenças autoimunes e de médicos comportamentalistas palestrantes, com foco na reiteração da importância do autocuidado ininterrupto. Desse modo, tais doenças não mais serão um empecilho de larga escala no território nacional.