Doenças autoimunes: desafios para o tratamento no Brasil

Enviada em 12/09/2024

“Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago é uma obra fictícia ambientada em um futuro distópico marcado por uma epidemia não controlada pelos poderes públicos. Analogamente, o Brasil contemporâneo enfrenta um grave problema: a dificuldade em tratar pessoas com doenças autoimunes. Tal revés decorre da inacessibilidade do sistema de saúde brasileiro e da inércia estatal.

Nesse sentido, é notório que o sistema médico brasileiro não é inclusivo ampla assistência. Acerca disso, Karl Marx afirma que no sistema capitalista, a classe social em que a pessoa se encontra determina, entre outras características, sua expectativa de vida. Sob esses viés, constata-se que apesar de existir um sistema gratuito de saúde, a complexidade das doenças autoimunes e suas variedades exige um tratamento extremamente específico para cada caso único e, de acordo com a BBC Brasil, cerca de 90% da população não possui acesso a médicos que dispõem dos recursos e tempo para se dedicar a esses casos. Dessa forma, grande parte da população se encontra impossibilitada de tratar adequadamente.

Ademais, a falta de medidas estatais eficazes perpetua o problema. Em relação a isso, Michel Focault afirma que é papel governamental assegurar o bem-estar de todo cidadão, o que inclui tratamento médico de qualidade. Todavia, a saúde de grande parte dos brasileiros, direito previsto também na Constituição Federal de 1988, não está entre as prioridades administrativas uma vez que, de acordo com a Superinteressante, o Sistema Único de Saúde recorrentemente carece de remédios e obriga pacientes hipossoficientes a gastarem grande parte da sua renda em gastos médicos. Desse modo, brasileiros com esse tipo de enfermidade permanencem em situação de extrema vulnerabilidade de saúde e financeira.

Portanto, urge a necessidade de ação estatal. Logo, cabe ao Ministério da Saúde realizar uma campanha de atendimento específico de doenças autoimunes para pessoas pobres. Tais campanhas devem se concretizar na forma de tendas em praças públicas com médicos especializados que devem realizar atendimento específico e dispor do tempo necessário para cada caso. Dessa forma, os direitos constitucionais serão respeitados e uma melhora significativa da qualidade de vida dessas pessoas ocorrerá.