É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 05/05/2018
Marcas contemporâneas de escravidão
“Ninguém é mais escravo que aquele que se julga livre sem o ser”, essa frase do pensador Goethe nos remete ao conceito de escravidão contemporânea, tema relacionado ao tráfico de pessoas com fins lucrativos.Geralmente consentido pelas vítimas, essas acreditam estar em boas oportunidades, julgando-se livres e sendo, na verdade, violadas no seu direito à liberdade. A partir desse panorama torna-se cabível destacar as motões socioeconômicas e o desdobramento do tráfico de seres humanos (TSH) na sociedade.
De início, destacam-se as disparidades econômicas em que se enquadram as pessoas traficadas. Isso acontece com a pobreza extrema e a falta de oportunidades para grande parte da população que, dessa forma, buscam alternativas alienantes com o objetivo de melhoria de vida. Entre esses modos de mudança, encaixa-se o consentimento nos esquemas de tráfico, com demandas sexuais e comerciais como enfoque.A “Modernidade Líquida” de Bauman justifica o envolvimento nesse viés, caracterizando fluidez nas relações sociais, sem empatia e que modela seus comportamentos com base no mercado capitalista e com fins exclusivos de lucratividade.
Percebe-se, por conseguinte, a retomada da sociedade quase à “Idade Moderna”, na época da alta do tráfico negreiro como escravos.Dessa forma, ocorre uma reprodução de valores, proibidos exclusivamente por lei (como a lei Eusébio de Queirós de 1850), mas que sempre permearam costumes sociais, remetendo à mercantilização da vida.Prova disso está no conceito de “Habitus” de Bordieu, em que preceitos se renovam e se propagam ao longo do tempo.
É, então, notório ressaltar que problemas socioeconômicos resultam em soluções extremas da população, que é o caso do tráfico de pessoas, quase resgatando os primórdios coloniais de escravidão.Assim, para buscar atenuar o problema, o Estado deverá aumentar o número de empregos do país, por meio de novos concursos públicos mais acessíveis, para evitar a procura por meios ilegais de oportunidades financeiras, como o TSH.A mídia, em soma, deverá comprometer-se na disponibilidade de plataformas digitais para denúncias, visando uma maior fiscalização dos casos.As escolas deverão desenvolver palestras sobre direitos humanos e boas relações sociais, visando estimular a coletividade para as novas gerações.Isso para a humanidade finalmente tentar alcançar o livramento das marcas de escravidão enraizadas nos pilares dos costumes da população.