É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 06/05/2018
Crime indigesto
As primeiras pessoas escravizadas chegaram ao Brasil no século XVI, estima-se que 4 milhões de negros foram trazidos à força do continente africano. Dos emblemáticos navios negreiros, até a abolição da escravidão, milhares de imigrantes até então trabalham de forma desumana e ainda, sofrem ao buscar “alforria” - uma mazela, indelevelmente, (oni)presente.
Chances de melhorar e crescer na vida, morar no exterior e trabalhar, caracterizam as ofertas imperdíveis cedidas por traficantes de pessoas. Nesse sentido, estes agentes atuam em escala regional, nacional e internacional, exercidas com procedimentos ilegais, como exploração infanto-juvenil, trabalho forçado e prostituição. As principais vítimas simbolizam jovens e mulheres em situação de vulnerabilidade, marcados por conflitos sociais, somado com a falta de acesso à educação, uma vez que o retorno financeiro para os traficantes é maior, pois a prostituição equivale o destino de 79% das vítimas, afirma a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.
Sob esse prisma, as sofrentes chegam ao destino endividadas, à medida que devem pagar pela viagem, hospedagem e roupas, valor cobrado sobre juros altos e que nunca serão pagos. Nesse cenário, o medo de fugir e denunciar refletem na permanência no trabalho, fato este representado na novela “Salve Jorge”, que encenou a vida de garotas na qual embarcaram na ilusão de se tornarem modelos internacionais e foram privadas de liberdade na Turquia. Por fim, torna-se evidente criar medidas de controle e erradicação desse crime indigesto.
Infere-se, pois, que o execrável tráfico de pessoas requer políticas públicas ativas. Dessa forma, o Estado, através da Secretaria de Segurança Pública devem contratar efetivos para atuarem nas fronteiras e oferecer curso de capacitação profissional, para que impeçam os traficantes de contrabandear pessoas; e conceder assistência de equipe multidisciplinar com médicos, psicólogos e enfermeiros, para que acolham as vítimas, a fim de reconstituir o equilíbrio social e psicológico nas relações afetivas. Logo, a relativa paz se restabelecerá nessa extensão.