É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 06/05/2018

A sociedade incorpora as estruturas que são impostas à sua realidade, em seguida, a sociedade naturaliza esse padrão e, por fim o reproduz ao longo do tempo. Assim diz o sociológico francês Peirre Bourdieu em sua teoria sobre Habitus. Desse modo, a problemática para com o tráfico de pessoas advém, sobretudo, da falta de conhecimento perante a patente, justamente por ser uma prática ilegal e ao exacerbado número de vítimas submetidas a atividade forçada. Sendo, portanto, fatos agravantes na atualidade, de caráter fundamental à ser combatido.

Efetivamente, muitas pessoas são negligentes no combate ao tráfico humano no mundo. Sob esse olhar, é perceptível a relação entre os requisitos da sociedade colonial, escravocrata e repressora, enfatizando a propagação dessa problemática, já que por muitos séculos o tráfico de pessoas era aceito e praticado com frequência. Essa perspectiva demonstra uma formação deturpada de valores que resulta na manutenção de práticas inconscientes. Ademais, a falta de informação de muitos indivíduos suprime o combate, como o desconhecimento dos meios de denúncia e da gravidade desse crime, o que desestimula a denúncia e mantém essa prática.

No que tange às ações do Poder Público são insuficientes seus esforços para impedir a propagação do tráfico humano, ainda que leis existentes estejam respaldadas na Constituição Federal de 1988. Além disso, nota-se a falta de fiscalização nas fronteiras para que cidadãos sejam assegurados dessa prática ilegal, que se sucede de diversas maneiras, como a adoção ilegal, exploração sexual, trabalho escravo, dentre outros. Atreladas a essa negligência, a busca por ostentação também tem contribuído para o aumento de vítimas no mundo todo.

De modo exposto, percebe-se que a problemática ao tráfico de pessoas é um desafio que carece ser combatido. Para isso, é recomendável que órgãos midiáticos em parceria com instituições educacionais estabeleçam propagandas abrangentes e chocantes, influenciando o não tráfico de pessoas e sim a denúncia. Também é imperioso que o Estado intensifique leis já vigentes, vinculado à maior fiscalização nas fronteiras. Além disso, é necessário que haja apoio às vítimas dessa prática para que possam se recuperar dos danos sofridos. Assim, é provável que o pensamento pessimista de Bourdieu possa ser vencido, pois tudo que é socialmente construído pode ser combatido de forma cultural.