É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 06/05/2018
Os navios negreiros transportaram, por quase três séculos, uma quantidade imensurável de indivíduos, que por motivos étnicos foram colocados na condição de escravos. Embora as justificativas sejam diferentes, o tráfico de pessoas é uma problemática que persiste no mundo contemporâneo e apresenta os mesmos princípios antepassados: a supressão da liberdade e dignidade humana. Nesse contexto, pode-se inferir que essa permanência está intrinsecamente ligada a carência de equidade social e a falta de engajamento do setor público e do povo.
A inexistência de iniciativas eficazes voltadas a atenuação das desigualdades sociais é, um dos fatores que intensificam a ocorrência do tráfico de pessoas, sobretudo, em áreas com maior vulnerabilidade. De tal forma que suas marcas são um ponto em comum no perfil das vítimas desse crime. Diante desse cenário, os recrutadores se aproveitam dessa fragilidade e, por vezes, fazem ofertas atrativas, como uma melhor condição de sobrevivência ou oportunidade de emprego, gerando uma expectativa nessa população que é facilmente lesada.
Indubitavelmente, a discussão superficial do tema em questão dificulta a supressão do problema. Vale ressaltar, que a sociedade civil não contribui com as políticas de denúncia e repressão, por acreditar que a coisificação do homem está distante da sua realidade. Nesse sentido, a população não se sente responsável pelo bem estar do outro, conquistando assim, o caráter individualista, totalmente oposto ao que se espera de um país democrático. Por outro lado, a resposta pública a essa atividade é branda e ineficaz. Visto que, a má aplicação das leis intensifica a impunidade, facilitando a atuação dos criminosos.
Entende-se, portanto, que o tráfico humano é uma ameaça aos direitos universais garantidos aos brasileiros. Assim, faz-se necessário, a princípio, que o Estado, elabore leis mais rígidas, e invista num sistema moderno de fiscalização integrado com outras nações, a fim de minimizar os efeitos e a eventualidade dessa atividade criminosa. Outrossim, a escola e a mídia devem se unir na tarefa de instruir e influenciar a participação da população no combate a esse fenômeno. Assim, seria possível evitar que a liberdade e a dignidade de mais pessoas sejam mercantilizadas por tal brutalidade.