É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 07/05/2018

No curso da humanidade, certas práticas que eram tidas como normais passaram a ser questionadas pela sociedade e muitas dessas foram até extintas (ou quase), por conta da percepção de que todo ser humano deve ser soberano de si, possuindo direitos iguais uns aos outros. Outras, no entanto, mesmo em vista da repressão ética em seu entorno perduraram ao passar dos anos, sendo notada até os dias atuais em níveis alarmantes. A exemplo desse segundo caso, tem-se o tráfico humano: prática que ganhou caráter mercantilista por volta do século XIV, mas que, por conta da fragilidade social das vítimas e do poder de comunicação e persuasão das mídias sociais, ainda hoje afeta milhões de pessoas no Brasil.

Em primeiro plano, deve-se contextualizar o perfil mais comum das vítimas do tráfico humano no Brasil. Posto isso, é evidente que os principais alvos dos traficantes são pessoas em condição de vulnerabilidade social. Isso porque, em frente as dificuldades que muitas enfrentam no meio em que vive, elas veem nas ofertas dos aliciadores uma oportunidade de melhorar suas vidas sócio e financeiramente. O que ocorre, no entanto, é um encontro com um cenário totalmente oposto a suas expectativas, sendo sujeitas forçosamente a servirem de escravo sexuais, laborais ou mesmo terem seus órgãos retirados.

Outro ponto a ser considerado nessa discussão é a forma como se dá o aliciamento de vítimas pelo tráfico. Quanto a essa questão, as redes sociais ganham destaque, por permitir que a informação e a comunicação  alcance a todos de forma quase que indiscriminada. Nesse sentido, criminosos podem identificar perfis em redes sociais que julgam como mais passíveis de serem persuadidos e entram em contato com os mesmos, fazendo promessas bastante tentadoras que implicam no seu consentimento.

Diante desse contexto e em vista dos principais fatores que corroboram para o crescimento do tráfico humano no Brasil, portanto, é necessário que o Governo, na figura do poder Executivo, institua programas sociais que visem a melhoria das condições de emprego e renda nas áreas de maior vulnerabilidade social no país, as quais poderão ser identificadas pelas ONGs que lutam em prol do desenvolvimento social e combatem o tráfico humano, a fim de mitigar o interesse de mais pessoas em buscar no exterior melhores condições financeiras. Soma-se isso a atuação da Polícia Federal, estabelecendo uma parceria com os órgãos de segurança e inteligência internacionais, e com as redes sociais de maior expressividade no mundo como o Facebook, a fim de desenvolver mecanismos que possibilitem a identificação de grupos criminosos que traficam pessoas, bem como promover a prevenção de possíveis vítimas, dado que após a saída do país uma resolução se torna pouco provável