É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 06/05/2018

Castro Alves, no poema “O Navio Negreiro”, denuncia a miséria a que eram submetidos os africanos na cruel travessia oceânica, em que muitos nem completavam com vida. Da mesma forma ocorre na época atual, muitas pessoas são exploradas e comercializadas no mercado humano clandestino, sendo obrigadas a fazer trajetos sem segurança alguma, podendo ser mortas ou perdidas durante o caminho. Diante dessa realidade desumana, por que o tráfico de pessoas ainda se mantém?

Em primeira análise, vale salientar que as péssimas condições econômicas em que vivem muitas famílias contribui para a manutenção do tráfico de pessoas. O filme brasileiro “Anjos do Sol”, retrata bem essa situação, na qual a filha de um casal pobre do interior do Maranhão é vendida inocentemente a um recrutador de prostitutas, e vai ser enviada a um prostibulo na floresta Amazônica. Isso mostra que, por estarem em condições de extrema pobreza as famílias são mais facilmente persuadidas a venderem os filhos para aliciadores, que prometem uma vida mais digna para as crianças, alimentando, assim, o tráfico de pessoas.

Ademais, a forma de mão de obra utilizada por algumas empresas também colabora para a continuidade do contrabando de humanos. Muitos contrabandistas enganam pessoas oferecendo falsas oportunidades de emprego a indivíduos que logo veem isso como uma boa chance profissional. No entanto, são vendidos a empresas, principalmente do ramo têxtil, que utilizam o trabalho escravo como maneira de aumentar os lucros, e, dessa forma, “financiam” o comércio de pessoas.

Fica claro, portanto, que as condições de extrema pobreza de algumas famílias, e a forma de mão de obra utilizada por algumas empresas, são as principais causas da manutenção do tráfico de pessoas. Dessa forma, é necessária, que o Ministério do Trabalho melhore as políticas de inclusão produtiva, por meio do fortalecimento dos programas, como o Pronatec e as iniciativas de microcrédito e apoio à agricultura familiar, conectando, assim, os pobres a melhores empregos, diminuindo, portanto, o tráfico.