É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 09/08/2018
. A liberdade de um indivíduo é uma direito irrestrito defendido pela Cartilha Universal dos Direitos Humanos. Entretanto, um problema que permeia a realidade brasileira e que fere com esse princípio,é o tráfico de pessoas, que persiste, seja pela lógica lucrativa dos aliciadores, seja pela vulnerabilidade de suas vítimas. Sob essa ética, é necessário entender esse cenário para buscar mitigar essa mazela social.
Diacronicamente, o contrabando de pessoas existiu em prol do lucro. Nesse âmbito, o tráfico de escravos africanos durante o Período Colonial do Brasil simbolizou uma das principais atividades comerciais da época. Diante dessa lógica, o mercado ilícito de pessoas persiste hodiernamente usurpando o direito de liberdade e a dignidade de suas vítimas, destinando-as à exploração sexual ou ao trabamho forçado, no intuito de acumular riquezas. Nesse ínterim, indo de encontro ao sociólogo Karl Marx, o capitalismo de fato prioriza o lucro em detrimento de valores, o que reflete em um mundo desprovido de preceitos éticos, e que, por conseguinte, leva à transformação do ser humano em mercadoria.
Sob outro viés, pessoas em vulnerabilidades socioeconômicas são os principais alvos de aliciadores. Nese contexto, dados da Organização das Nações Unidas (ONU), destaca que os locais de origem do tráfico são, em geral, países subdesenvolvidos, onde há dificuldade de acesso às políticas públicas, e que, portanto, não oferecem perspectivas futuras para os indivíduos. Desse modo, as vítimas, sem nenhum posicionamento crítico, são ludibriadas por propostas enganosas, que, muitas vezes, prometem ascensão social e melhores condições de vida. Sendo assim, é preciso valorizar o pensamento do filósofo Descartes que efatizava a dúvida como meio fundamental para alcançar a verdade, e, logo, evitar a propagação dessa problemática.
Nessa perspectiva, medidas são necessárias para contornar esse grande problema social. Dessa maneira, a Receita Federal deve disponibilizar maiores recursos para que o Ministério da Defesa invista em delegacias específicas para o tráfico humano, com atividades voltadas para um maior controle de fronteiras nacionais e de pontos de deslocamento de pessoas, como também para o desenvolvimento de políticas que investiguem e identifiquem esse crime, de modo a impedir sua concretização. Concomitantemente, o Ministério das Comunicações deve realizar campanhas nas mídias sociais, no intuito de despertar na população um posicionamento cético e instruí-la quanto à forma de identificar aliciadores ao mostrar suas características, e, assim, não ser coagida por propostas enganosas. Nessa conjuntura, avanços serão obtidos para garantir o direito de liberdades do indivíduos.