É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 21/08/2018
O ser humano é um ser social: necessita viver em comunidade e estabelecer relações interpessoais. Porém, embora intitulado sob a perspectiva aristotélica, político e naturalmente sociável, inúmeras de suas antiéticas práticas corroboram o contrário. No que tange ao tráfico de pessoas, alavancado principalmente em países como o Brasil, nota-se uma imaturidade do conjunto social que convive com o problema há décadas, mas que ainda rasteja para resolvê-lo. Nesse contexto, dois fatores se fazem pertinentes: a mentalidade arcaica de parte da sociedade e a desinformação, que atinge as vítimas e as fazem colaborar para a manutenção dessa chaga.
Mormente, cabe avaliar que a situação atual existe há tempos, mas, no passado, atingia grupos específicos. Isso porque, em tempos de escravidão o tráfico de pessoas era muito comum e avaliado como forma de obter riquezas. Hoje, no entanto, esse tráfico ocorre para alimentar a indústria do sexo e da exploração trabalhista, de modo que evidencia a continuidade de um processo exploratório, com diferenciação na pluralidade de indivíduos. Ademais, vê-se, ainda, que esse comercio ilegal só prospera devido às práticas antiéticas e imorais de alguns indivíduos, já que só há oferta quando existe procura. Dessa forma, verifica-se o rompimento da convivência pacífica e a tendência ao caos, pois como profetizado por Karl Marx: no capitalismo, tudo vira mercadoria.
Em segunda análise, é preciso pontuar que o tráfico de pessoas é o terceiro maior crime transnacional de recursos ilícitos, perdendo apenas para o tráfico de drogas e o de armas. Nesse sentido, ressalta-se como um dos motivos a desinformação das vítimas, que associadas a uma manipulação de ofertas extravagantes, se deixam levar e acabam sofrendo, posteriormente, com abusos e exploração. Uma prova disso está na exposição midiática de jovens jogadores que foram levados para clubes estrangeiros e depois de algum tempo retornaram com traumas psicológicos devido aos transtornos vividos, bem como ocorre com modelos que são vítimas de abusos sexuais: como já tratado na novela “Caminho das Índias”.
Diante desse cenário, urge que o Ministério da Segurança do Brasil reforce a base policial instalada, para que haja um maior monitoramento das pessoas que chegam e que saem do país, bem como a fiscalização e interrogação dos traficantes, a fim de agir proativamente e evitar a continuidade do processo. Além disso, é imperativo que haja mobilização social, cooperando com ONGs, imprensa e demais veículos de informação, para que seja efetivado a disseminação dessa realidade e, com isso, a sociedade fique mais alerta e, possivelmente, mais solidária. Destarte, poder-se-á tornar o convívio social mais próximo da máxima aristotélica.