É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 26/08/2018

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, afirmou que não teve filhos, e assim, não transmitiu a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Talvez hoje, ele percebesse acertada sua decisão: o tráfico de pessoas ainda é uma das faces mais perversas da sociedade. Pra se ter uma noção, de 2005 a 2013, o número de pessoas traficadas, seja para trabalho escravo, seja para outras atividades como a exploração sexual, cresceu em cerca de 7 indivíduos por ano. Além disso, em 2018, mais de cem migrantes que tentavam atravessar o Mediterrâneo desapareceram, suspeitas de serem vítimas do infortúnio. Nesse sentido, é impreterível que o problema em questão seja combatido, ministrado e, sobretudo, solucionado.

Mormente, cumpre lembrar que, uma das vias que possibilita a ocorrência do tráfico de indivíduos são as redes sociais. Esses meios de comunicação, infelizmente, não possuem recursos de proteção contra perfis anônimos. Logo, anonimatos iludem e enganam suas vítimas, com promessas falsas, que muitas vezes, acabam sendo raptadas e logo em seguida traficadas para outros países.

Conforme um dos mais estupendos filósofos da antiguidade, a poética deve ser utilizada de modo que, por meio da Justiça, se alcance harmonia e o bem-estar geral. Os governos nacionais, no entanto, rompem com essa harmonia; uma vez que pecam gravemente ao não corroborarem com a fiscalização mais assídua e eficaz em fronteiras e aeroportos, contra o tráfico de pessoas, se contrapondo, assim, como princípio aristotélico da poética.

Outrossim, a atividade em questão, dada a como atividade mais lucrativa do mundo, conta ainda com uma brecha oferecida pela mídia. Sobre tal conjuntura, convém assinalar que, o recurso midiático mundial, com seu forte poder coercitivo, erra ao não divulgar e fomentar o combate ao tráfico de seres humanos, o que poderia ser minorado se isso acontecesse.

É evidente, portanto, que o tráfico humano precisa ser combatido. E para isso, é indispensável a tríade: mídia, Estado e Governo. A mídia, como quarto poder, deve promover propagandas que alerte a população a respeito do riscos do tráfico de pessoas, a fim de que a sociedade possa se inteirar mais sobre o assunto. Ao Estado, imperativa-se uma fiscalização mais reforçada, em lugares cujos índices de sequestros sejam altos. Por fim, o Governo Federal precisa ordenar que redes sociais desenvolvam métodos de proteção contra ação de anonimatos, para que sequestros sejam evitados. Assim, talvez, a problemática em questão restringir-se-á ao passado, e o mundo possa deixar um legado do qual Brás Cubas se orgulharia.