É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 31/08/2018

Durante a Idade Moderna,  sobretudo a partir da descoberta da América, intensificou-se um cruel e lucrativo comércio de homens, mulheres e crianças trazidas da África nas condições de escravas. De maneira análoga, hodiernamente , o problema ainda persiste, no entanto, de maneira mais ampla, com diversos fins de exploração - sexual, serviços forçados ou mesmo remoção de órgãos - seja pela falta de informações, tal como pela condição de carência econômica.

Segundo Michel Foucault, na obra A Ordem do Discurso (1996), ele afirma que assuntos considerados nocivos, são interditados pela sociedade. Logo, temas como tráfico de pessoas ficam ausentes na pauta de discussão da esfera social, impedindo o combate. A novela “Salve Jorge”, transmitida em 2012, por exemplo, trouxe à tona a problemática do comércio humano, porém, após seu término, a exposição do tema voltou a ser escassa e sem atualizações sobre as novas estratégias usadas pelos traficantes, como a abordagem via redes sociais.

Vale ressaltar, ainda, que a condição de pobreza extrema, aliada também à falta de informação, oportunidades e desemprego, faz muitas pessoas serem alvos fáceis de aliciadores, que usam de artifícios para iludir e criar no indivíduo a esperança de uma vida melhor, dando auxilio necessário para questões burocráticas. De acordo com a ONU, mulheres e meninas representam 71% das vítimas que caem nas mãos de traficantes e redes criminosas. Fator este, resultante de estarem em posições de maior vulnerabilidade.

É indubitável, portanto, que a questão do tráfico de pessoas é uma realidade crítica, uma vez que é fruto não apenas da falta de informações, bem como da desigualdade social. Em razão disso,a Organização das Nações Unidas (ONU) deve promover a difusão de informações, principalmente em países mais pobres, através de campanhas internacionais, como a Coração Azul, em programas de maior audiência nas televisões, além de escolas, com o intuito de alertar e obter apoio da população em massa, para combater essa nova forma de escravatura. Ademais, os governos federais devem oferecer melhor qualidade de vida as pessoas de maior vulnerabilidade, investindo na educação e saúde, junto à obras para gerar empregos, afim de suprimir com a possibilidade de, especialmente mulheres, submeterem-se à aliciadores. Dessa forma, não apenas o tráfico de pessoas poderá ser combatido,  mas também, em longo prazo, a discrepância social.