É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 06/09/2018
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a problemática do tráfico de pessoas, no Brasil, nota-se que esse ideal iluminista é constatado apenas na teoria e não desejavelmente na prática; haja vista que só há oferta devido a procura. Nesse contexto, existem dois fatores que não podem ser negligenciados: a desinformação das vítimas ao serem manipuladas e os efeitos dessa chaga para uma sociedade que almeja o progresso.
Sob o viés histórico, é preciso considerar que a sociedade brasileira sempre esteve entre as nações que mais traficavam pessoas, as quais, naquela época, se resumiam basicamente aos negros. Hoje, o país continua a disputar liderança nessa prática maléfica, porém entre as vítimas, agora, há uma pluralidade, na qual envolvem as mulheres –para alimentar a “indústria do sexo”- os homens e as crianças –para serem vítimas de exploração trabalhista. Diante disso, verifica-se que um dos principais motivos para a continuidade desse ato está na facilidade de persuasão que têm os traficantes sobre as vítimas, já que estas são, na maioria das vezes, desinformadas e não compreendem a ilegalidade da ação, nem as suas consequências. Por isso, são manipuladas por meio de ofertas extravagantes e colaboram para fortalecer o postulado marxista: “no capitalismo, tudo se transforma em mercadoria”.
Em consequência disso, muitas pessoas desenvolvem traumas psicológicos devido aos transtornos vividos no novo país. Isso porque, muitas mulheres que saem com propostas para serem modelos acabam fazendo parte do comércio de prostituição e, com isso, são vítimas de exploração sexual. Comprava-se isso por meio da novela “caminhos das índias”, a qual revela o tratamento negativo dado a essas mulheres e, embora seja ficcional, tem grande relação com a realidade do país. Além disso, o Brasil é protagonista não só por exportar, mas também por importar, como é o caso dos trabalhadores que vêm de outros países e são levados para o campo, sendo vítimas de trabalho exaustivos e mal remunerados, o que faz dessa situação um ato exploratório praticado pelos grandes empreendedores do agronegócio. Tal fato traz a lume uma mazela histórica, que continua ligada à realidade do país.
Urge, portanto, que o Ministério da Segurança do Brasil reforce a base policial instalada, para que haja um maior monitoramento das pessoas que chegam e que saem do país, bem como a fiscalização e interrogação dos traficantes, a fim de agir proativamente e evitar a continuidade do processo. Ademais, é importante que haja mobilização social, cooperação com ONGs, imprensa e demais veículos de informação, para que haja disseminação dessa realidade e, com isso, a sociedade fique mais alerta e, possivelmente, mais solidária para atuarem em combate à problemática.