É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 11/10/2018
Com a expansão marítima europeia, as relações comerciais foram intensificadas e a necessidade de mão de obra para aumentar a produção, especialmente por volta do século XVI, influenciou o início do tráfico de negros e o duradouro período de escravidão. No entanto, apesar desse tráfico aos moldes coloniais ter sido superado, o número de pessoas que ainda são usadas como mercadorias, enganadas e ameaçadas por outras, que contribuem com a manutenção de regimes severos e desumanos de exploração através do tráfico, é gigantesco.
Nesse aspecto, segundo o filósofo e sociólogo Karl Marx, tudo no capitalismo é mercadoria. Assim, o cenário atual é muito bem exemplificado por esse pensamento, visto que o tráfico humano já é considerado a terceira atividade ilegal mais lucrativa do mundo, segundo dados da Organização Internacional da Migração (OIM), e ocorre, sobretudo, para manter a industria da prostituição e das formas contemporâneas de trabalho forçado.
Dessa forma, as principais pessoas atingidas são aquelas que vivem em situações vulneráveis, economicamente e socialmente, e que nem sempre têm real conhecimento da real gravidade do que estão vivendo, especialmente por falta informações acerca de seus reais direitos. Nesse sentido, milhares de meninas são levadas do Brasil para outros países na ilusão de se tornarem verdadeiras modelos, mas acabam sendo inseridas em uma complexa teia de prostituição, sob ameaças e impossibilidade de retornar para casa. Além disso, inúmeros trabalhadores recebem propostas de empregos que pagam bem e não requerem grande qualificação fora do país, que no fim das contas também consistem em condições laborais desumanas e degradantes, que muitas vezes não podem ser abandonadas por causa da coação dos chefes, falta de documentos e de dinheiro.
Fica evidente, portanto, que a informação pode ser a maior aliada no combate ao tráfico de pessoas. Desse modo, o Ministério do Trabalho, em conjunto com a OIM, deve promover campanhas de prevenção, direcionadas principalmente às pessoas menos beneficiadas economicamente - principais vítimas - por meio de cartilhas, redes sociais e propagandas televisivas em horários de pico, que evidenciem os inúmeros casos de pessoas enganadas, orientem a busca por maiores informações acerca das propostas de trabalho e influenciem a denúncia de casos suspeitos, em delegacias locais ou pelo Disque 100, para que esse quadro seja superado e pessoas possam viver de fato como pessoas.