É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 15/10/2018
Na obra pré-modernista “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista acredita fielmente que, se superados alguns obstáculos, o Brasil projetar-se-ia ao patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, é provável que o major Quaresma desejasse pôr fim às adversidades provenientes do tráfico de pessoas, lamentáveis falhas que atentam contra o direito de ir e vir. Esse cenário perdura, principalmente, pela inobservância do Estado somada à postura conivente dos cidadãos já familiarizados com o problema.
A princípio, a Constituição Cidadã de 1988 garante vida digna de qualidade à todos os cidadãos brasileiros, todavia, o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que a oferta não aliciados por traficantes de pessoas, pois ao não encontrarem emprego, devido à sua baixa escolaridade, migram com falsas promessas de melhores condições de vida, fazendo os direitos permanecerem no papel.
Outrossim, nota-se que aceitar a propagação dos serviços desses criminosos nas redes sociais é banalizar o mal. Segundo o Índice Integrado de Desenvolvimento Social (IIDS), lançado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 51,3% das vítimas são abordadas em sites como o Facebook. A precariedade no discernimento de falsas informações do “mundo virtual” pode comprometer o entendimento da realidade em que o indivíduo está inserido, dificultando a conquista da cidadania plena. Porém, parte da sociedade tem aceitado esse quadro crítico sem questionar. A naturalização desse problema pode ser explicada a partir dos estudos da filósofa Hannah arendt, visto que, devido a um processo de massificação, as pessoas estão perdendo a capacidade de julgar o que é certo e o que é errado.