É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 15/10/2018

“No meio do caminho tinha uma pedra”. O poema, de Carlos Drummond de Andrade, parece mostrar que algo interfere na trajetória do eu lírico. Dessa forma, posicionando a obra na atual conjuntura brasileira, pode-se afirmar que o tráfico de pessoas poderia muito bem ser interpretado como um obstáculo que impede a caminhada do país. Dessarte, implica aludir o enraizamento histórico e egoísmo capitalista como fatores característicos da problemática.

Em primeiro plano, é mister salientar que o tráfico humano não é algo que surgiu no período nupérrimo. Sob essa lógica, convém relembrar que a comercialização de pessoas foi introduzida na Grécia Clássica e, depois no Império Romano, perpassou séculos e chegou ao Brasil com os chamados “Navios negreiros”, negociando e escravizando pessoas. De maneira lamentável, é evidente que essas práticas ainda persistem, tendo em vista que de acordo com o Ministério das Relações exteriores, em 2015, o Brasil teve 205 casos registrados de contrabando de indivíduos, o que é alarmante, pois demonstra que essas práticas abjetas não ficaram só no passado.

Outrosssim, é axiomático mencionar que os aspectos econômicos influenciam a persistência e existência dessas condutas. A partir do Renascimento, principalmente nas cidades italianas ocorreu utilização da escravidão como uma forma de acúmulo de recursos, e isso é explicado pelo sociólogo alemão Karl Marx, pois ele diz que a lógica capitalista é de que o homem vai estar sempre em busca de mais dinheiro, não se importando com o reflexo da sua atitude no corpo social. Ademais, é evidente que essa lógica egoísta existe atualmente, e que em busca de obterem lucros à custa dos outros, alguns fazem uso de um dos mais terríveis problemas já presenciados pela humanidade.

Em suma, os impasses supracitados urgem ser elucidados. De acordo com Karl Marx: “Um problema só surge quando reunidas condições para solucioná-lo”. Para isso, o Governo Federal, em conjunto com o Ministério do Trabalho, financiado pelo Ministério da Fazenda, deve estabelecer medidas de assistência às pessoas que se encontram em vulnerabilidade socioeconômica, garantindo-as programas de qualificação profissional e emprego. Além disso, é imprescindível que o Ministério da Educação em ação conjunta com mídias sociais, façam o trabalho de disseminar essas práticas como sendo criminosas, e fruto de provectos conflitos históricos, que devem ser relembrados e denunciados, assim esses dois programas atingirão tanto as crianças em formação quanto os mais velhos. Somente assim, retirando as “pedras” do caminho que se alcançará um país com mais alteridade.