É fundamental o combate ao tráfico de pessoas
Enviada em 21/10/2018
Segundo a Lei da Inércia, de Newton, um corpo tende a permanecer no seu movimento quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da Física, é possível perceber a mesma condição no que concerne à grave questão do comércio de humanos, o qual se encontra estagnado na sociedade brasileira. Nesse contexto, evidencia-se a configuração de um problema de contornos específicos, em virtude de questões históricas e a falta de conhecimento.
Deve-se pontuar, de início, que o legado histórico é um fator excedente. Durante o século XVI, devido à produção de açúcar, ocorreu a migração forçada de africanos para o Brasil para serem usados como mão-de-obra escrava. Nessa perspectiva, de acordo com Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento de eventos históricos. Por conseguinte, essa clandestinidade mesmo que fortemente presente no século XXI, encontra raízes intrínsecas ao passado do país, o que dificulta o combate à problemática.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a base educacional da população. Isso porque não é novidade que, atraídos pelo discurso do dinheiro fácil, pessoas sejam retiradas das periferias do Brasil e levadas para outros países, nos quais são submetidos à prostituição, trabalho escravo ou até mesmo transformados em fornecedoras de órgãos para transplantes. Sob a óptica do filósofo A. Schopenhauer, o qual defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Assim, se as pessoas não têm acesso à informações confiáveis em seu cotidiano sobre como reconhecer os passos da máfia do tráfico de pessoas, sua visão será limitada, o que dificulta a mudança de percurso do problema.
Torna-se imperativo, portanto, que, de modo urgente, medidas sejam tomadas. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com o Ministério da Cultura devem desenvolver palestras em escolas a serem webconferenciadas nas redes sociais desses órgãos, por meio de entrevistas com vítimas do problema e especialistas no assunto, com o objetivo de trazer mais lucidez à população brasileira sobre o tema. Além disso, nesses eventos, é preciso discutir a importância do conhecimento e da busca de informações confiáveis sobre como a máfia do tráfico alicia seus alvos, a fim de erradicar tal injustiça. Por fim, com base na primeira Lei de Newton, o problema sairá da inércia.