É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 10/04/2019

Durante o Período Colonial, o Brasil participou, intensamente, do comércio de escravos africanos, com o intuito de explorar a mão de obra negra nos engenhos, na atividade mineradora, nas fazendas de café ou nos serviços cotidianos. Contemporaneamente, brasileiros são vítimas de uma nova forma de mercantilizar a vida, o tráfico humano. Essa violação dos direitos do homem, ocorre devido à vulnerabilidade social vivenciada por uma parcela da população que é iludida por promessas de ascensão social em países desenvolvidos e ganhos financeiros antes inimagináveis. Desse modo, é imperativo o combate à venda de seres humanos.

A priori, urge entender o perfil das vítimas do tráfico humano que, de acordo, com a ONU, normalmente, são mulheres com idades entre 10 e 29 aos, com baixa escolaridade e famílias desestruturadas. Nesse contexto, a novela “Salve Jorge”, de Gloria Perez, representou a história real de uma brasileira que foi comercializada para a Turquia. A narrativa retrata a protagonista como uma jovem mãe solteira, moradora do Complexo do Alemão que passava por problemas financeiros, quando recebeu uma proposta para trabalhar em um restaurante turco, mas ao chegar nesse país percebe que foi enganada por uma quadrilha que mantém diversas mulheres em cárcere privado a serviço da prostituição.

Outrossim, o comércio ilegal de vidas pode envolver diretamente as crianças, visto que algumas famílias, que não possuem boas condições financeiras devido à má distribuição de renda vigente no Brasil, comprovada, pelo elevado Índice de Gini, são visadas por aliciadores que induzem pais a disponibilizarem seus filhos à adoção irregular em troca de dinheiro. Essa modalidade do tráfico humano, segundo, a “Human Rights Watch” atinge cerca de 33% do total das vítimas desse crime. Posto isso, é necessário ressaltar que essa situação desrespeita os direitos fundamentais de meninos e meninas, tal como a liberdade de escolha e pode comprometer sua saúde mental.

Assim, o tráfico humano ocorreu em grande escala durante o passado colonial e, hoje, ocorre de uma forma, também, cruel. Diante disso, é necessário que a Polícia Federal, trabalhe em parceria com as autoridades internacionais, por meio, de acordos de cooperação jurídica, com a finalidade de facilitar os trâmites burocráticos em relação ao retorno das vítimas a sua terra natal. Complementarmente, cabe ao Ministério da Fazenda elaborar políticas públicas, por intermédio de esforços da equipe de economistas que objetivem a criação de programas sociais de auxílio financeiro às famílias vulneráveis socialmente para que ocorra a atenuação das desigualdades sociais que oportunizam a ação dos aliciadores. Por fim, espera-se, reduzir a incidência desse crime no maior país da América do Sul.