É fundamental o combate ao tráfico de pessoas

Enviada em 18/04/2019

Uma jovem em situação vulnerável recebe uma proposta para trabalhar em um restaurante no exterior. Ao chegar lá, realiza que o local é um prostíbulo e deverá trabalhar de graça para pagar a divida contraída com voo e alimentação. Essa é uma triste realidade que se repete com milhares de vítimas hoje. Isso se deve, em fato, tanto pela desinformação sobre o tráfico de pessoas e as situações que à circundam, como ao ineficaz sistema que identificaria pessoas nessa situação.

Em primeira instancia, cabe destacar o aspecto histórico do tráfico de pessoas que circunda o panorama brasileiro. Desde o período colonial até o início da república, o comercio de seres humanos foi intenso no país. Nesse processo, cidadãos africanos eram capturados em seu continente e trazidos a força para o trabalho escravo em plantações e na mineração. Apesar da escravidão legal ter findado em 1888, a situação prática infelizmente permanece nos dias de hoje. A partir disso, o tráfico moderno de pessoas se apresenta com ofertas de trabalho no exterior que ofereçam deslocamento, estadia e boa remuneração. Aqueles que aceitam as propostas, muitas vezes vulneráveis, carecem de conhecimento sobre a situação comum e perigosa que lhes é apresentada.

Além disso, o aparato que deveria identificar pessoas na situação de traficadas se mostra ineficiente. Observa-se isso pela grande quantidade de cidadãos africanos que são encarcerados ao chegarem à Itália, destino comum da atividade em questão. Esses, por sua vez, estariam protegidos legalmente caso fossem identificados como explorados comercialmente. Dessa forma, identifica-se a necessidade de aperfeiçoamento dos responsáveis pela recepção desses imigrantes no país, afim do correto entendimento da situação presente e a sua melhor solução, levando os responsáveis à justiça. Assim, o mecanismo por hora ineficiente de identificação de indivíduos vulneráveis ao tráfico de pessoas tem um papel importante para o agravamento da situação vigente.

Infere-se, portanto, que a falta de conhecimento das estratégias usualmente utilizadas por traficantes de pessoas, junto da lacuna na rede de identificação de vítimas desses, têm consequências graves no assunto. Assim, um programa informativo por parte da mídia que, junto das escolas, conscientize o público sobre tal situação e alerte os cidadãos para que se defendam das mesmas se mostra importante para o combate ao tráfico humano. Além disso, o aperfeiçoamento de agentes responsáveis para o acolhimento de imigrantes e estrangeiros, a partir de um plano de treinamento produzido pela ONU com a finalidade de que estes reconheçam as situações de exploração é necessário.  A partir dessas ações, o infeliz tráfico de pessoas deve ser dificultado e combatido.